Artigo

Que tal uma assinatura de carros?

FELIPE RIBBE*, Jornal do Brasil

Novos modelos de negócio têm permitido a consumidores acesso a serviços sem que eles necessariamente possuam ativos para tal. Em vez de comprar CD, basta assinar o Spotify. Por um valor mensal, o Kindle disponibiliza milhares de livros na palma da mão; e o Netflix, acesso ilimitado a uma gama de filmes e séries premiadas. Por que então não pensar em uma assinatura de carros e ter diferentes modelos à disposição, podendo trocá-los quando quiser? Pois bem, algumas das maiores montadoras do mundo tiveram essa sacada e a assinatura de veículos já é uma realidade, mesmo que em fase inicial, nos EUA. As empresas buscam novas fontes de receita em um momento em que as formas de se locomover sofrem mudanças profundas. Também querem se aproximar do público mais jovem, acostumado a assinar diversos tipos de serviços e cuja tendência a possuir um carro próprio é cada vez menor. 

A primeira montadora foi a GM. Em janeiro de 2017, lançou o Book by Cadillac, que disponibiliza modelos da marca para seus clientes. O processo é bem simples: é preciso baixar o aplicativo do Book e se inscrever. A empresa verifica informações sobre o usuário (como seu histórico de infrações); se for aprovado, ele paga uma mensalidade de US$ 1.800 e pode escolher o modelo que lhe convier. Não existe um contrato de tempo mínimo de utilização, podendo ser fechado mês a mês ou anualmente. No valor estão inclusos seguro, manutenção e assistência 24 horas, além de não haver limite de quilometragem. O usuário pode trocar de veículo até 18 vezes em um ano. Os pedidos são feitos pelo próprio aplicativo e, no máximo no dia seguinte, um profissional do Book vai até o cliente levar o carro solicitado e recolher o anterior. O serviço iniciou em Nova York, mas já expandiu para Los Angeles e Dallas.

A Porsche lançou o Porsche Passport no fim de 2017, na cidade de Atlanta. O Passport conta com os mesmos benefícios do Book, porém as trocas são ilimitadas. Outra diferença é que existem duas faixas de assinatura: Launch, que custa US$ 2 mil/mês e tem quatro opções de modelos; e Accelerate, que custa US$ 3 mil/mês e tem sete opções de modelos. Ambas as faixas requerem uma taxa de assinatura no valor de US$ 500.

A BMW lançou este ano o BMW Access, em Nashville. Também são duas faixas de assinatura: Legend, US$ 2 mil/mês; e M, US$ 3 mil/mês. Ambas requerem taxa de US$ 575 e oferecem os mesmos benefícios que as concorrentes. A diferença está nos modelos disponíveis para cada faixa.  

A última a anunciar um serviço de assinaturas foi a Mercedes-Benz. Chamado de Collection, irá funcionar em fase de testes por 18 meses apenas em Nashville. Após esse período, a empresa avaliará se expande para outras regiões ou se o encerra. O Collection tem o preço mais em conta entre todas as ofertas. São duas faixas de assinatura: Signature, que custa US$ 1.095; e Reserve, com mensalidade de US$ 1.595. Ambas têm uma taxa inicial de US$ 495 e os benefícios são iguais aos oferecidos pelas concorrentes.

Você pode estar se perguntando se vale a pena mesmo assinar um serviço como esse, já que a mensalidade é superior a um financiamento, por exemplo. Porém, financiamentos geralmente pedem um valor de entrada, além de não contar com seguro, manutenção e assistência inclusos. O que mais chama a atenção, no entanto, é a facilidade de se ter um veículo à disposição (o tempo estimado é de dois dias após a aprovação da assinatura), a inexistência de burocracia (afinal, o cliente não vira dono do carro, então adeus papelada) e, principalmente, o fato de que se pode trocar de modelo de acordo com sua vontade. Vai viajar com a família para a serra? Ótimo, abra o aplicativo e peça uma caminhonete. Na semana seguinte abriu um sol, então que tal um conversível? Perfeito, basta solicitar apertando apenas um botão.

Em tempos em que tudo está à disposição no smartphone, nada mais justo que seu próximo carro também esteja. 

* Especialista em inovação e novas tecnologias