Borbulhantes

Oh God, mas com que roupa eu vou?

Hildegard AngelCom João Francisco Werneckhilde@jb.com.br, Jornal do Brasil
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Nunca verás uma noiva da família real inglesa como esta. Pra início de conversa, o casamento no próximo sábado do príncipe Harry com Meghan Markle romperá três cláusulas pétreas do preconceito. O religioso, da Igreja britânica, porque ela é americana divorciada, o que já até obrigou o rei Edward VIII a abdicar da coroa em 1936, e optar por viver em Paris com sua americana divorciada, Wally Simpson. O preconceito racial, porque ela é afro-americana, filha de mãe negra, com grande possibilidade de os bisnetos da rainha Elizabeth II nascerem negros, o que será uma saudável revisão de conceitos em Buckingham e, por consequência, em todo o Império Britânico. O moral, pois é atriz já vista em cenas ardentes, despida, em filmes e seriados de televisão, via Netflix. 

Meghan já chega inovando. Não quer madrinha de casamento porque tem “amigas demais, difícil escolher”. A desculpa é boa, mas causa estranheza, já que a madrinha, no rito do sacramento, é aquela que exercerá missão espiritual junto ao casal e, se necessário, atuará para promover sua harmonia. Dá impressão que Meghan não deseja ninguém “tirando casquinha” em seu grande momento. Fato é que, o que mais ocorre em casamentos desse porte, são profissionais se promoverem graças a ele. Pois tudo vira notícia internacional. A começar pelo autor do vestido. Quando a princesa Diana se casou com Charles, a estilista Elizabeth Emanuel e seu marido, David, ficaram famosos mundialmente.

O grande dilema da British Commonwealth é “com que roupa ela vai?”.

Aqueles babados em camadas, laçarotes e franzidos foram concebidos por eles. O mais copiado dos vestidos de noiva, e pela própria realeza, pois até Kate Middleton usou um parecido, é o do casamento da princesa Grace de Mônaco com Rainier, que não foi de nenhum costureiro francês. Foi da americana Helen Rose, figurinista de cinema com dois Oscars na prateleira. O vestido foi encomenda e presente do estúdio da MGM, Metro Goldwin Mayer, à sua atriz que se faria princesa. Já a filha de Grace, Caroline de Mônaco, vestiu em seu casamento com Philippe Junot, em 1976, um Christian Dior. Yves Saint Laurent vestiu majestosa a Farah Diba no casamento com o Xá. O enfeitadíssimo vestido de casamento de Jacqueline Bouvier com John Kennedy foi de Ann Lowe. O da rainha Elizabeth II, criação de Norman Hartnell, ao gosto da época, sem volume na saia de cetim franzida com aplicação de estrelas. Do espanhol Felipe Varela, o vestido de noiva, com gola em V, da princesa, hoje rainha de Espanha, Letizia de Bourbon. E a grande pergunta paira no ar: com que roupa Meghan Markle vai se casar com Harry? Vai se inspirar no vestido icônico da sogra Diana? Afinal, o anel de noivado é cópia do usado por ela. Ou vai querer agradar a avó do noivo e bordar estrelinhas na saia do vestido? Já diria outro britânico, “ser ou não ser, eis a questão”. O grande dilema da British Commonwealth é “com que roupa ela vai?”.