Carnaval 2018

Portela viaja pela Europa, Brasil e Nova York, fazendo crítica à xenofobia

Jornal do Brasil

A Portela, campeã de 2017, foi a segunda a desfilar na noite desta segunda-feira (12), fazendo uma crítica à intolerância contra os imigrantes. O enredo "De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá..." , de Rosa Magalhães, contou a história de um grupo de judeus que veio ao Brasil para fugir da Inquisição na Europa, e levantou o público. 

Eles saíram de Portugal e se instalaram na Holanda e depois vieram para o Brasil, mais precisamente para o Recife, na época em que Pernambuco estava sob o governo holandês, no comando de Maurício de Nassau, que tomou o território para explorar as riquezas do local.

Anos depois, com a retomada das terras pelos portugueses, novamente os judeus tiveram que sair: parte foi para a Holanda, uns para o Caribe e outros buscaram um destino mais longe, foram para a região da Nova Amsterdã, que mais tarde passou a se chamar Nova York.

A tradicional águia da Portela na avenida
A tradicional águia da Portela na avenida

Alegorias marcantes foram realizadas pela carnavalesca para contar essa história. A da cidade nordestina foi representada pelas casas coloridas do centro histórico, onde foi inaugurada a Kahal Zur Israel, primeira sinagoga das Américas. 

A parte da viagem veio representada por uma enorme embarcação, com detalhes de piratas, para lembrar que os judeus sofreram ataques durante o trajeto. A cidade de Nova York veio caracterizada com um símbolo da cidade que é a Estátua da Liberdade.

Portela viaja pela Europa, Brasil e Nova York, fazendo crítica à xenofobia. Foto: Gabriel Monteiro, Raphael David, Gabriel Nascimento, Dhavid Normando | Riotur

Portela viaja pela Europa, Brasil e Nova York, fazendo crítica à xenofobia. Foto: Gabriel Monteiro, Raphael David, Gabriel Nascimento, Dhavid Normando | Riotur

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Leia o samba:

Vamos simbora povo vencedor

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Sou nordestino, estrangeiro, versador

Eh eh eh viola… 

Vem do arrecife oio azul cabra da peste

No doce do meu agreste, querendo se lambuzar

Oi o mar maré de saudade , oi o mar

Pedindo paz a javé, perseguido na fé

O imigrante veio trabaiá

Oh saudade que vai na maré

Passa o tempo e não passa a dor

E um dia Pernambuco seu irmão reconquistou

Luar do sertão, ilumina…

Pra quem deixou esse chão, triste sina

Ô cumpadi em seu peito leva um dó

Cada um em seu destino e a tristeza dá um nó 

Vixi Maria lá no meio do caminho

Tem pirata no navio

O pagamento não foi ouro nem foi prata 

Essa gente aperriada foi seguindo

Ô gira ciranda, vai a chuva vem o sol, deixa cirandar 

Entra criança, homem, muié

No abraço dessa terra só não fica quem não quer 

É legado, é união, é presente, igualdade

É “Noviórque” pedestal da liberdade

A minha águia em poesia de cordel

22 vezes minha estrela lá no céu 

Lá vem Portela é melhor se segurar

Coração aberto quem quiser pode chegar 

Vem irmanar a vida inteira

Na campeã das campeãs em Madureira