Coisas da Política

Ainda será tempo?

Jornal do Brasil
Coisas da Política
Tereza Cruvinel

Bolsonaro é uma onda, Bolsonaro vai murchar, Bolsonaro não tem estofo, vai desinflar...Há meses todos dizem isso, na esquerda e na centro-direita, deixando a pista livre para o pré-candidato da extrema-direita. A pesquisa do portal Poder360, divulgada esta semana, deu um susto em todo mundo. Bolsonaro aparece num firme primeiro lugar (a pesquisa excluiu o ex-presidente Lula dos cenários induzidos), ultrapassa a barreira dos 20% e bate todos os candidatos nos cenários de segundo turno. Ciro Gomes, do PDT, que aparece isolado em segundo lugar, ontem partiu para cima de Bolsonaro. Mas é a centro-direita que devia estar enfrentando com mais energia a fera, pois corre o sério risco de ficar fora do turno final.

Na sabatina com candidatos feita ontem pelo jornal Correio Braziliense, Ciro chamou o pré-candidato do PSL de “maluco” e alertou os outros para o risco de ele ser eleito. “Vão entregar o cargo a um boçal, a um despreparado? Os democratas têm obrigação de chamá-lo de boçal e despreparado. Os democratas tem obrigação de extirpar esse câncer, enquanto ainda pode ser extirpado”.

A multiplicidade de candidaturas, na esquerda e na centro-direita, favorece Bolsonaro, que reina sozinho em seu extremo. Nos dois segmentos há esforços de convergência mas esta premência é maior para o chamado centro, com seus candidatos que não se movem nas pesquisas. A esquerda tem Ciro em alta e o PT, se não puder ter Lula como candidato, lançará outro nome. Na pesquisa Poder360 o ex-prefeito Fernando Haddad tem um desempenho surpreendentemente bom. Alcança de 6% a 8%, dependendo do cenário, superando Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), que variam de 6% a 7%.

- No ponto médio do centro, já se entende que uma das vagas do segundo turno será da esquerda. Agora é brigar pela segunda com Bolsonaro – diz o deputado Esperidião Amin (PP-SC), um centrista.

Mas deste polo não está vindo combate. Alckmin está às turras com os tucanos, Meirellles está toureando o PMDB, Álvaro Dias querendo sair do reduto sulista, Rodrigo Maia esperando sua hora de crescer, e os outros fazendo figuração. 

Pela esquerda, o deputado Alessandro Molon (PSB- -RJ) faz coro a Ciro na necessidade de enfrentar o risco Bolsonaro com mais vigor.

- Acho que não dá mais para negligenciar o perigo. É ingenuidade achar que ele será desinflado pela força da gravidade. Na esquerda, temos de andar logo com a formação de uma frente, que a meu ver deve ser em torno de Ciro. Se o PT quiser insistir no Lula, vamos respeitar. Se o PSOL quiser ir sozinho, paciência. Mas PDT, PSB e PC do B devem acelerar os entendimentos no plano nacional, e nos estados em que for possível. No Rio, essa é a disposição do PSB.

Parece que estão acordando e talvez até seja tarde. Na pesquisa Poder360, 77% dos eleitores de Bolsonaro dizem que não mudam de candidato.

COBRANDO A CONTA

Em mensagem lida no lançamento do manifesto “Por um Polo Democrático e Reformista”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, referindo-se à eleição presidencial: “as lideranças políticas precisam enxergar que está em jogo a recuperação da legitimidade democrática da autoridade política, ou a desorganização política, econômica e social do Brasil”. 

Minutos depois o petista Henrique Fontana disparou no plenário: 

- Acabo de ouvir, o ex-presidente FHC reconhece que a ilegitimidade de Temer é a fonte de nossos males. Ele devia ter pensado nisso em 2016, quando estimulou o golpe contra a presidente eleita e legítima. Concordo que a eleição é a única saída, mas com a participação de Lula, que ele também descarta.

ESNOBAÇÃO 

Na segunda-feira houve reunião dos chanceleres dos países que compõem os BRICS. O do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, em reuniões bilaterais nos EUA, não foi. Mandou o secretário-geral Marcos Galvão. Até parece que o B dos BRICS anda com a bola alta.