Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Sumiço salvador

Jornal do Brasil

O que nenhum trabalho de assessoria de imprensa ou de marketing foi capaz de realizar, após a Copa do Mundo, a não transmissão dos jogos do Campeonato Francês para o Brasil está começando a fazer: recuperar aos poucos a imagem de Neymar, destroçada por suas simulações, penteados e que tais na Rússia. Explico: fora da telinha, por aqui, o jogador teve diminuída drasticamente a sua presença na imprensa e dele só se tem notícias através das crônicas das partidas, na internet.

Na estreia, soube-se, por exemplo, de um xingamento do brasileiro a um companheiro (coisa de jogo, mas que com a transmissão de TV certamente, ganharia maior repercussão). Sabe-se também de seus gols: três em três rodadas, dividindo a artilharia, até o momento, com Kylian Mbappé – a grande revelação francesa do último Mundial.

Não estamos vendo, por exemplo, se Neymar continua a rolar pelo gramado, ganindo como um cão atropelado, ao menor contato, como costuma fazer. Ou se segue brigando com a arbitragem, como era também o seu hábito. O que se diz dele é apenas que, por decisão do novo treinador, o alemão Thomas Tuchel, está jogando mais centralizado, por trás do trio de ataque formado por Mbappé, Cavani e Di Maria e tem driblado menos e passado mais a bola. Boas novas.

Essa posição de meia-esquerda foi, aliás, na qual jogou a Copa das Confederações de 2013 e a sua primeira Copa, no Brasil, em 2014, sob o comando de Felipão. Com Tite, porém, voltou a cair pela esquerda, com Phillippe Coutinho fazendo o papel de meia. Estou curioso para ver como será na seleção daqui pra frente. Como o atual treinador não é dado a reconhecer os próprios erros, temo que voltará a jogar na ponta.

Já disse aqui e reafirmo que a única saída viável para que Neymar recupere a sua boa imagem, e deixe de ser uma piada mundial, passa por uma mudança radical de comportamento e pela excelência do futebol em campo. O desaparecimento do Campeonato Francês das nossas telinhas está ajudando. Que ele aproveite e só faça chegar por aqui as notícias de seus gols e de suas boas atuações.

Os dois próximos amistosos da seleção, contra adversários ridículos, nos EUA, pouco devem contribuir em termos de futebol. Mas sua postura diante dos jornalistas neste período será reveladora. Ah, importantíssimo: se der pra sumir também com o pai, ajuda. E muito!

Champanhe e caviar

Cá entre nós, não ter o campeonato francês na TV não chega a ser uma grande perda para os amantes do velho e violento esporte bretão. A superioridade do Paris Saint Germain é tamanha que o torneio se tornou um “Me engana que eu gosto” com champanhe e caviar.

Injustificável

Como se pode admitir que o campeonato de futebol mais rico do planeta, a Premier League, ainda não tenha adotado o VAR? O Manchester City, de Pep Guardiola, levou ontem um gol de mão de um jogador impedido! E ficou por isso mesmo. Empate de 1 a 1 com o Wolverhampton, o campeão da segunda divisão da temporada passada.

Enfim, o duelo?

A Ferrari dominou todos os treinos enquanto a pista estava seca. Mas exatamente no Q3, choveu em Spa-Francorchamps e Lewis Hamilton cravou a pole-position para o GP da Bélgica de hoje. Sebastian Vettel fez o segundo tempo e assim a primeira fila terá lado a lado os dois tetracampeões, que lutam cabeça a cabeça pelo penta.

Melhor: com a tremenda confusão causada pela chuva, as Force India de Esteban Ocon e Sergio Perez surpreendentemente formaram a segunda fila, deixando os escudeiros Kimi Raikonnen e Valteri Botas para trás (o da Mercedes largará lá no fim do grid, por causa de trocas de peças no motor).

Se chover, na hora da prova, Hamilton leva vantagem (é o autêntico sucessor de Ayrton Senna, também nesse quesito). Mas, com pista seca, Vettel parece ter um carro mais veloz. De uma forma ou de outra, tomara que tenhamos, enfim, o duelo direto tão esperado desde o início da temporada. Se der pra pedir uma corrida metade com chuva, metade com pista seca, será simplesmente o máximo!

Miúra na quadra

Começa hoje o US Open de tênis, último Grand Slam da temporada e o jogo de abertura na quadra central do Artur Ashe é simplesmente sensacional: Grigor Dimitrov x Stan Wawrinka. Rafael Nadal abre a sessão noturna contra o veteraníssimo David Ferrer, seu velho freguês de caderno. Também estarão em ação, durante o dia, Juan Martin del Potro, contra Donald Young, e Andy Murray, diante de James Duckworth. Roger Federer e Novak Djokovic só estreiam amanhã.

Fiel da balança

Se o Flamengo jogar bem e derrotar o América Mineiro, hoje, no Independência, se encherá de moral para a missão (quase) impossível da próxima quarta-feira, contra o Cruzeiro, pela Libertadores. Mas se perder e jogar mal (e o confronto não deve ser fácil), além de comprometer sua briga pelo título do Brasileiro, chegará ao Mineirão de crista baixa e pronto para nova eliminação na principal competição do continente. Olho vivo, Barbieri. E, por favor, nada de camisa azul!



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