Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Todos ao chão! E ao cabeleireiro...

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Então, ficamos assim combinados. Como uma equipe deve seguir o exemplo e as orientações de seu capitão, doravante (cáspite!), a seleção brasileira poderá contestar todas as decisões de arbitragem e, ao menor contato físico com o adversário, seus jogadores se atirarão ao chão, rolando e ganindo como cachorros atropelados. Ah, ia me esquecendo: as mudanças nos cortes de cabelo se tornarão obrigatórias a cada jogo. Topetes dourados (e ridículos) são fortemente recomendados. E o narcisismo e o individualismo exacerbado serão marcas registradas dos que vestem a amarelinha.
Falando sério, a decisão de Tite de entregar definitivamente a braçadeira de capitão para Neymar é sintomática e lamentável. Trata-se de uma vergonhosa rendição ao craque e ao seu clã de “parças” e parentes, capitaneado por seu polêmico pai. Não custa lembrar que, quando assumiu, o técnico lançou a chamada braçadeira itinerante, exatamente porque não queria que Neymar continuasse no posto de capitão, no qual, pode-se comprovar na segunda era Dunga, exagerava nas discussões com os juízes e adversários, acumulando cartões amarelos e vermelhos.
Era a medida certa, feita de maneira covarde. Se tivesse peito, Tite teria escolhido outro capitão e ponto final. Seja como for, o fato é que o camisa 10 não usou a braçadeira em nenhum dos jogos da Copa, onde, mesmo assim, teve comportamento tão bizarro que se tornou uma piada mundial, na imprensa e nas redes sociais. E o que faz, agora o “encantador de serpentes”? Consagra as atitudes deploráveis de Neymar na Rússia.
Agindo dessa forma pusilânime, permissiva e paternalista, como fez na Copa e consegue piorar agora, o técnico dificilmente chegará ao Catar. O que, diante de suas atitudes, poderá ser até melhor para a seleção brasileira. Do jeito que vai, qualquer dia Tite consultará Neymar pai para saber qual deve ser a melhor formação brasileira.
Me Engana que Eu Gosto
No primeiro amistoso pós-Copa, a seleção de Tite ganhou dos... EUA – que nem à última Copa foi. Que vantagem, hein? Sabe brigar com bêbado? Pois é. Começou mais uma série de amistosos “Me Engana que Eu Gosto”. O próximo é contra o poderoso selecionado de... El Salvador. Depois, a fabulosa Arábia Saudita e a Argentina, sem Messi. Adversários mais furrecas, impossível. Aí, o Brasil chega na Copa e pena contra Suíça, Sérvia e Costa Rica e é eliminado pela Bélgica e não sabe o porquê.


Cadafalso
O jogo de hoje à noite, contra a Chapecoense, no Maracanã, parece perfeito para o Flamengo amenizar a crise que vem aumentado a cada novo tropeço, no pós-Copa (são três derrotas e um empate nas últimas cinco rodadas do Brasileiro). Se, entretanto, a vitória não vier, o incêndio se alastrará de forma incontrolável na Gávea e a demissão de Maurício Barbieri será iminente. Talvez até antes da primeira partida com o Corinthians, pelas semifinais da Copa do Brasil, na próxima quarta-feira.
A situação do “estagiário” só não é desesperadora, porque não há disponível, no momento, nenhum treinador que os dirigentes considerem apto para assumir e, imediatamente, devolver o bom futebol ao time. Abel e Renato Gaúcho continuam a ser os sonhos de consumo rubro-negro, mas nenhum dos dois pode assumir já.


Perigo real e imediato
Depois da demagógica entrevista de chegada, quando disse que o elenco do Vasco era forte, o técnico Alberto Valentim já deve ter caído na real. A luta contra o rebaixamento será renhida e o risco de o Gigante da Colina visitar, pela quarta vez, a Segundona, em apenas dez anos, é real e imediato. O jogo de amanhã contra o Vitória, no Barradão, é um confronto direto na parte inferior da tabela e em caso de derrota, os cruz-maltinos já poderão dormir no Z-4 – Chapecoense, Ceará e Sport, três dos integrantes da zona da degola podem ultrapassá-lo.


Jogaço à vista
Vítima de dores no joelho, o espanhol Rafael Nadal, número 1 do ranking, caiu diante do argentino Juan Martin Del Potro, que amanhã fará a final do US Open contra o sérvio Novak Djokovic, que bateu o japonês Kei Nishikori. Não é a decisão dos sonhos dos amantes do tênis – que esperavam um Nadal x Federer ou um Nadal x Djokovic -, mas ainda assim tem tudo para ser uma grande partida de tênis.
Delpo jogou muito nos dois sets contra Rafa (que desistiu antes de começar o terceiro). Ele tem um histórico desfavorável contra Nole (14 a 4 para o sérvio), mas conseguiu uma vitória importantíssima contra ele, nos Jogos Olímpicos do Rio, quando o eliminou logo na primeira rodada, frustrando aquele que era o grande sonho de Djokovic.
Nole também teve grande atuação na semifinal, não dando chances a Nishikori. Venceu por 3 sets a 0, sem se sentir ameaçado em momento algum. Se conquistar o US Open, chegando assim ao seu décimo-quarto título de Grand Slam, Novak dará mais um salto no ranking, passando à terceira posição e podendo até lutar pelo número 1, no final da temporada, Faltam ainda dois Masters 1000 (Shangai e Paris) e o ATP Finals.


Ironia
Com o futebol carioca vivendo uma de suas fases mais funestas, não deixa de ser irônico imaginar que, nos próximos anos, o ataque do Real Madrid poderá ter Pedro e Vinícius Jr. como titulares de seu milionário ataque.



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