Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

O ninho do avestruz

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Um dia depois do melancólico empate em 0 a 0 com o Corinthians, na primeira partida das semifinais da Copa do Brasil, ninguém, vou repetir, NINGUÉM do Flamengo, seja jogador, técnico ou dirigente, falou com os jornalistas no Ninho do Urubu. É mais uma prova cabal de como essa administração, tão eficiente em termos de cuidar das finanças rubro-negras, não tem a menor noção de como se deve tratar as coisas do futebol.

Nos dias seguintes aos (poucos) tropeços daquele que foi o maior time da história do Fla, capitaneado por Zico, na década de 80, o saudoso supervisor Domingo Bosco já recebia a imprensa, na Gávea, com alguma notícia importante ou uma declaração bombástica, em relação ao próximo jogo. E o presidente Márcio Braga (e posteriormente Antônio Augusto Dunshee de Abranches) e o vice de futebol Eduardo Motta também se apresentavam, ao final da tarde, para entrevistas.

Ah, ia me esquecendo: após o treinamento, todos os jogadores também davam a cara a tapa e falavam abertamente sobre o revés. Sem subterfúgios, sem desculpas. Que diferença! E os caras jogavam o fino da bola, não esse arremedo de futebol que a atual equipe apresenta, para desespero de sua imensa torcida.

Essa ojeriza ao trabalho dos jornalistas é, aliás, uma característica da administração Bandeira de Mello, que prefere acobertar os próprios erros e os da equipe e da comissão técnica. Por seu comportamento avesso a enfrentar os problemas do futebol de frente, deveria passar a chamar o Ninho do Urubu de Ninho do Avestruz. Afinal de contas, o que mais se faz por lá é enfiar a cabeça num buraco, deixando aquele baita bundão de fora.

Perguntar não ofende...

Quantas entrevistas deu até agora o diretor executivo do futebol Carlos Noval? Pois é... Ele continua a agir, no profissional, como se ainda dirigisse a base. E as diferenças entre as duas categorias são abissais. Mas parece que ele ainda não se deu conta disso e vive como passarinho na muda. Calado. Será porque já percebeu que o trabalho de seu protegido, o técnico estagiário Maurício Barbieri, está dando com os burros n’água? Para o tamanho do investimento feito no futebol, os resultados são risíveis.

Números

Com mais de 70% de posse de bola e vinte e uma finalizações, o Flamengo obrigou Cássio a fazer apenas três defesas – nenhuma delas excepcional. Pode haver prova maior da completa ineficiência do ataque rubro-negro? Já escrevi e repito: o esquema de Barbieri torna o seu time um cemitério de centroavantes. A bola não chega nunca. É só toquinho pro lado e pra trás. Um exército de “armandinhos”, sem nenhum artilheiro.

Inimigos do VAR

É impressionante como ainda existem dirigentes, técnicos, jogadores e jornalistas inimigos figadais do VAR. A polêmica arbitragem de Palmeiras e Cruzeiro fez com que vários deles saíssem do armário. Se houve ou não falta de Edu Dracena em Fábio, pouco importa. O que mais se fez, anteontem e ontem, foi esculhambar o VAR, que o juiz de campo preferiu não consultar. Como se diz agora, “aceitem que dói menos”. O VAR veio para ficar. Pode ser aperfeiçoado? Óbvio que sim. Mas é inegável a sua contribuição para melhorar o nível da arbitragem. Evitar todos os erros é impossível, até por haver, em muitos casos, a questão da interpretação. O lance do choque de Fábio com Dracena é um deles. Com ou sem VAR, haveria uma interpretação. E a do juiz foi que a infração aconteceu.

Cego em tiroteio

O presidente do Vasco, Alexandre Campello, segue mais perdido do que cego em tiroteio. Permitir que um bando de desocupados das torcidas organizadas entre no centro de treinamento e vá à sede social para cobrar resultados é típico de quem já não sabe mais o que fazer para evitar o caos.

O clássico de amanhã, contra o Flamengo, em Brasília, pode aliviar um pouco a pressão (em caso de vitória) ou incendiar a crise de vez (em caso de derrota, que seria a quinta consecutiva).

Gol de placa

O lateral Daniel Alves conta que teve longa conversa com Neymar e acredita que o craque mudará, a partir de agora: “Sempre falo que, se um fala, dois falam, pode ser perseguição. Se um monte fala, alguma coisa errada estou fazendo. É hora de se reinventar e polir, melhorar. Eu conversei bastante com o Neymar sobre esse aspecto. Acredito que ele está consciente e mais experiente”.

Se conseguir tal proeza, Dani Alves terá feito mais pelo futebol brasileiro do que quando disputou duas Copas com a camisa da seleção.



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