Jornal do Brasil

Tom Leão

Tom Leão

Ofensiva e engraçada na dose certa

Jornal do Brasil

Sempre às vésperas de estrear uma nova série, a Netflix faz o maior alarde. Rola muita campanha em rede social, outdoors, cartazes em pontos de ônibus etc. Normal. É assim que tem de ser. Mas, às vezes, o hype é maior do que a qualidade do programa. O que, no meu caso, acaba espantando o telespectador.

Aconteceu de novo agora, com o lançamento de “Insaciável”. Primeiro, veio lá de fora (Estados Unidos) uma campanha contra a série, antes mesmo de ela estrear, dizendo que ela era ofensiva, por tratar a obesidade de forma inadequada. Daí, fui ler do que se tratava. Basicamente, a sinopse dizia que era sobre uma menina que sofre bullying na escola, por estar acima do peso e, depois de ficar magra e bonita, volta para se vingar. Clichê, não?

Isso não me deu a mínima vontade de ver. Mas, como sempre testo pilotos de séries, sejam quais forem, para saber se valem a pena, acabei preso pela trama de “Insatiable”, que é bem mais do que vendem as chamadas.

Primeiro, ela te pega por não ser o clichê que você esperava ser. Sim, há uma garota (Debby Ryan, ótima), que é sacaneada na escola por ser gorda (a chamam de Patty “Porpeta”). Mas parte é culpa dela, que se entregou à comida por algum tipo de compulsão. Quando Patty chega na sarjeta, a ponto de ser espancada por um mendigo, sua vida muda. Julgada pelo caso (o mendigo alegou que ela também o espancou), passa algum tempo na prisão e sai magra.

Aí, começa a série em si, que não terá a ver com vingança. Não totalmente. Um ex-gordo e atual agente de modelos para concursos de beleza em geral (Dallas Roberts, que parece saído de um filme do John Waters), vê na menina um modo de voltar por cima, depois de ter tomado uma rasteira de mãe de concorrente (que o acusou de pedofilia). O camarada – que também é advogado – tem um jeito bastante afetado. Mas ama as mulheres. Sobretudo a sua esposa, uma white trash metida a dondoca, feita por Alyssa Milano (de “Charmed”). Esta, por sua vez, adora um vizinho, que vive sem camisa mostrando o corpo. E a melhor amiga de Patty tem uma quedinha por ela, desde cedo.

Ou seja, quase todos os estereótipos e preconceitos da sociedade americana estão expostos nos personagens, recobertos por uma grossa camada de humor negro e sátira. E, o mais bacana: sem “lacração”. Não há nenhum tipo de discurso ou bandeira. O agente fará a ex-obesa ter autoestima e ser uma mulher confiante; ele não tem o menor problema em ser efeminado; e os demais personagens, por mais desagradáveis que possam soar, assumem o que são. E isso faz a diferença.

Por isso, a série pode até soar ofensiva para alguns - ela passeia pelo humor camp, que passa pelo mau gosto (como nos filmes de John Waters, olha ele aqui de novo). Mas sem nunca perder seu foco. Contudo, seria melhor se os episódios durassem meia hora. Em geral, duram entre 40 e 60 minutos, o que tira um pouco do ritmo. Então, se você está cansado do pczismo reinante, “Insatiable”, pode ser o antídoto.

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Rugidos

*O serviço de streaming da DC, será lançado nos EUA, no próximo dia 15, para coincidir com o Batman Day. Só lá, será possível assistir à série “Titans”, a partir de 12 de outubro.

*Em homenagem aos 50 anos do Led Zeppelin, o canal Bis exibe hoje, às 21h, show da banda, gravado na O2 Arena, em Londres, em 2009.

*”Elite”, a segunda série original espanhola da Netflix, terá estreia mundial 5 de outubro.

*Após cinco longas para os cinemas, o personagem Jack Ryan chegou à telinha com série que já estreou no Amazon Prime.



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