Jornal do Brasil

Comunidade em pauta

A ausência de empatia de nossos políticos

Mônica Francisco*, Jornal do Brasil

Depois de uma semana agitada pelas notícias da politica nacional, com todas as atenções voltadas para o Tribunal Superior Eleitoral e a decisão sobre a chapa Dilma-Temer; nossa atenção no âmbito local foi ocupada por questões tão candentes quanto.

A Câmara de Vereadores esteve mobilizada com dois debates quentes, um sobre armamento da guarda e outro sobre o fim da dupla função exercida por motoristas de ônibus, onde tem que dirigir e cobrar pela passagem.

A dupla função é uma das mais escandalosas medidas (o que não é de se estranhar por aqui). O código de trânsito prevê punição para quem dirige e utiliza o aparelho celular. Ora, como não se surpreender que ao mesmo tempo se cobre e se dirija?

Para além do absurdo fato, temos com certeza um enorme contingente de trabalhadores e trabalhadoras fora do mercado de trabalho com essa manutenção. 

Cada vez mais fica explícita na maneira como grande parte dos governantes e legisladores e legisladoras, distanciam-se da realidade de seus eleitores e eleitoras. A ausência de empatia observada em parte dos vereadores frente à massa com diversas gradações de pele negra, de rostos exaustos e refletindo a surpresa ante falas que em nada demonstraram a defesa sobretudo do humano.

Enquanto se mantiveram os privilégios dos poderosos e poderosas dessa terra, as estatísticas vão continuar nos mostrando que os processos de aniquilação das classes populares se mantém em suas multifacetas.

*Colunista, Consultora na Ong Asplande e Membro da Rede de Instituições do Borel