Jornal do Brasil

Comunidade em pauta

"Não voltaremos atrás"

Mônica Francisco *, Jornal do Brasil

Apesar de toda a agitação em torno das idas e voltas de figuras ligadas ao mundo político e empresarial  às instalações policiais e penitenciárias, e do aumento da rejeição a figuras políticas que antes detinham a simpatia dos cidadãos (ãs), fazerem com que pensemos que não há mais nenhuma  esperança ou interesse político, surge um elemento importante para nossa reflexão. 

Inspirando os ventos da Primavera das Mulheres, as mobilizações e o envolvimento das mulheres vêm mantendo o fôlego e marcando um momento importante na vida política do país. Uma espiral de ações que vão sacramentando os próximos movimentos para 2018, como movimentos em direção a uma forte pressão da pauta feminina e feminista em todo o país. 

É preciso prestar atenção a isso. É sabido que a presença da mulher em cargos de poder ainda não corresponde em nossa sociedade ao contingente da sua população. Há cada vez mais pressão para que esse cenário seja modificado e que haja nos processos eleitorais, paridade entre homens e mulheres, desafio enorme dentre tantos outros. Não só em nosso país, mas em toda a América Latina e Caribe. O clamor por paridade  nos cargos legislativos e na direção dos partidos, e pautas que atendam às questões das mulheres, são e continuarão reivindicadas incessantemente. 

O 14º Encontro Feminista Latino Americano e Caribenho no Uruguai e o 1º Encontro Mulheres na Política, realizado na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), palco de inúmeros eventos importantes, fechando o mês de novembro, não deixaram dúvidas de que a presença das mulheres nas decisões políticas, sociais e econômicas são definitivas, ascendentes e não continuarão mais sendo apenas decorativas. 

Não há espaço para ocaso das mulheres negras e a luta antirracista. Nas palavras proferidas no evento da ABI, fica impressa a marca do que serão os movimentos futuros. Em uma síntese e mescla das muitas falas, a mensagem é muito direta, "Não voltaremos atrás, não retrocederemos, não há espaço para tomada de decisões, sem que as mulheres, todas as mulheres estejam presentes e atuantes. Não ditarão e legislarão sobre nossos corpos e destinos, sem que nos olhem nos olhos e ouçam nossa voz"

*Colunista, Consultora na ONG Asplande e Membro da Rede de Instituições do Borel