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Cultura

Festival argentino exibe documentário que ironiza o Rio como capital olímpica

Curta brasileiro utiliza imagens antigas do Arquivo Nacional e tem tom anacrônico

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Colecionador de prêmios desde sua estreia no Recine 2012 (Festival internacional de cinema de arquivo do Rio de Janeiro), o curta-metragem “Rio Cidade Olímpica” abriu o festival de cinema argentino Ciudades Reveladas – Muestra Internacional de Cine e Ciudad, no luxuoso Cine Gaumont, na última quinta-feira (3) e volta a ser exibido nesta segunda-feira (7).

Com direção e roteiro de Cláudio Felício, o curta lança um olhar crítico e cômico sobre o projeto olímpico do Rio. O tom irônico da narração está no fato de que o diretor se utilizou da linguagem própria dos antigos noticiários da Agência Nacional (agência de nptícias estatal dos regimes ditatoriais brasileiros).

Curta deixa entrever a eterna tentativa dos trópicos para se adequar ao relógio da civilização
Curta deixa entrever a eterna tentativa dos trópicos para se adequar ao relógio da civilização

O falso documentário – “nem tão falso assim”, como lembra Felício – cria um anacronismo proposital ao misturar referências da cultura atual, como a modelo Gisele Bundchen, a um narrador de voz impostada que mais lembra a era dos cantores e locutores da Rádio Nacional, nos anos de 1930 e 1940.

Ao retomar imagens de arquivo feitas em outra lógica estética e tecnológica para lançar um olhar crítico e irônico sobre o Rio de Janeiro atual, o curta deixa entrever a eterna tentativa dos trópicos para se adequar aos ponteiros do relógio da civilização. Exemplo real disso, e que o filme já antevia, são as notícias na imprensa estrangeira da poluição da Baía de Guanabara.

Além de Buenos Aires, “Rio Cidade Olímpica” já foi exibido em festivais de cinema da França, da Alemanha, da Venezuela, na Itália, nos Estados Unidos, em Portugal, no México e na Irlanda, além de ter faturado prêmios nacionais e internacionais.

>>Clique aqui para assistir ao documentário “Rio Cidade Olímpica”