Jornal do Brasil

Economia

Investidor aposta em novos aumentos da Selic

Investimentos e Notícias
SÃO PAULO, 24 de abril de 2008 - Após surpreender boa parte do mercado com a elevação da Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano, na semana passada, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta manhã reforçou que o ciclo de aumento da Selic deve continuar.

Para o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Silveira, a ata foi bem clara, o Banco Central (BC) irá continuar atuando de forma preventiva frente às pressões inflacionárias. Estas pressões são de duas ordens; uma interna e outra externa. Internamente temos um descompasso entre oferta e demanda que já foi amplamente divulgado pelo BC. Outro fator bastante preocupante é a alta do preço do petróleo que se continuar volátil é uma fonte constante de pressão inflacionária em escala global, e que irá se transmitir ao Brasil por diversos mecanismos.

O economista ressalta ainda que, o colegiado do BC deve fazer mais três elevações na taxa Selic de 0,50 ponto, ou seja, nas reuniões do Copom de junho, julho e setembro, o que deixaria os juros em 13,25% ao final do ano. "O BC insiste em ata que os efeitos da política monetária são defasados e que estas elevações serão sentidas apenas no segundo semestre, seja na inflação ou no nível de atividade", friza.

Pela manhã os investidores monitoraram também o Índice de Confiança do Empresário Industrial que alcançou 62 pontos, valor 2,6 pontos acima do registrado em abril do ano passado. Foi informado também que a taxa de desocupação foi estimada em 8,6% em março, segundo Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantendo-se estável em relação a fevereiro.

No momento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) está reunido para tratar sobre medidas de refinanciamento das dívidas dos produtores rurais.

Diante de um mercado interno cauteloso as projeções de juros dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) subiram na ponta mais longa da curva. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, passou de 13,58% para 13,73% ao ano.

(Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)