Futebol & Cia.

O valor de um grito de campeão

Jornal do Brasil
Futebol & Cia.
Renato Mauricio Prado

Os campeonatos estaduais são cada vez menos importantes, em termos esportivos e financeiros, e o carioquinha, então, consegue piorar, ano após ano. Mas vendo a alegria contagiante dos torcedores do Botafogo, desde domingo à noite, sou forçado a reconhecer: o grito “É Campeão” (seja em que torneio for) ainda tem o seu valor e o seu espaço nobre reservado no coração dos torcedores.

Tenho conversado com muitos botafoguenses nas ruas, nas redes sociais e em grupos de whatsapp de amigos. Nenhum deles está iludido em relação à (apenas razoável) qualidade do time (bem) dirigido por Alberto Valentim. Sabem que no Brasileirão, que começa no próximo final de semana, as chances de novas alegrias são pequenas e as de pesadelo mais palpáveis.

Mas até lá estão adorando curtir com a cara dos rubro-negros, vascaínos e tricolores. Fazem muito bem. É essa a graça e o encanto do futebol. Por isso, os estaduais não devem simplesmente acabar. Mas precisam, urgentemente, serem reformulados e durar menos, eliminando-se a absurda sequência de jogos que não valem rigorosamente  bulhufas.

Freirinhas em lupanar 

Quando Muricy Ramalho deixou o Flamengo, por problemas de saúde, a melhor solução, no mercado, para substituí-lo era Abel Braga, então livre, leve, solto e disposto a assumir o rubro-negro. Cansei-me de defender a contratação dele, nos programas que fazia no Fox Sports (o Central Fox e A Última Palavra).

Diversos “aspones” que cercavam (e ainda cercam) o presidente Eduardo Bandeira de Mello, entretanto, torpedearam o nome do técnico, classificando-o de velho e superado. Zé Ricardo foi ficando e ficou, sem conquistar nada de importante ou desenvolver o potencial que o elenco rubro-negro, ao menos no papel, parece ter.

Agora, depois de pagar o mico que pagou com a saída de Reinaldo Rueda e ver fracassar a desastrada improvisação de Carpegiani, a diretoria rubro-negra foi atrás do Abelão (enquanto urdia novo fiasco, com a novela Renato Gaúcho). No meio disso tudo, os mesmos “aspones” que torpedearam Abel lá atrás, implodiram a possível contratação de Cuca – que estava, sim, aberto à proposta rubro-negra. Só disse que não, na semana passada, porque não foi procurado.

Resumo da ópera; não duvido nada que, no meio do ano, Bandeira, com a lerdeza que lhe é peculiar, ainda vá tentar contratar o ex-treinador campeão brasileiro pelo Palmeiras e da Libertadores pelo Atlético Mineiro. Como aliás, fez agora, sem sucesso, com Renato Gaúcho, também oferecido ao rubro-negro (e esnobado) quando Muricy saiu.

Quanto mais vejo a ação da dupla Bandeira e Luz mais me lembro daquela velha das histórias das duas freirinhas perdidas num lupanar...

Cisne da esperança 

Desprezada pelos clubes brasileiros, como um patinho feio, até que passou a valer uma vaga para a Libertadores, e virou cisne, a Copa Sul-Americana se tornou excelente opção de faturamento e esperança de título para os cariocas. Botafogo e Fluminense estreiam neste meio de semana.

Caixinha de surpresas 

As duas viradas pareciam muito difíceis. Mas entre as duas, a do poderoso Manchester City, de Pep Guardiola, sobre o Liverpool soava menos improvável do que a da Roma, pra cima do Barcelona de Lionel Messi. Na prática, porém, deu tudo ao contrário.

Gabriel Jesus até abriu o placar para o City, com menos de dois minutos de bola rolando, mas o time de Manchester teve um gol mal anulado, no finalzinho do primeiro tempo e viu o Liverpool reagir e vencer no segundo.

Enquanto isso, no Estádio Olímpico, a Roma operava o milagre mais improvável. Devolvia os 4 a 1 da ida com um 3 a 0 dramático, com direito ao gol da classificação ao apagar das luzes, numa partida em que Messi esteve apagadíssimo em campo.

Eliminados dois dos maiores “bichos-papões” da Liga dos Campeões, restam, dos quatro mais poderosos, apenas o Real Madrid e o Bayern de Munique, que vão a campo hoje, como franco favoritos, após respectivas vitórias por 3 a 0 (sobre a Juventus, na Itália) e 2 a 1 (contra o Sevilha, na Espanha). Sinceramente, não creio em zebras logo mais. Mas como diz o velho ditado, o futebol é uma caixinha de surpresas...

Valdemort verde 

E esse Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, hein? Além de transbordar arrogância a cada entrevista, não tem noção do ridículo que faz ao espernear feito louco por causa do pênalti corretamente não marcado, na final do campeonato paulista. Cada vez que aparece na TV, com seu olhar esbugalhado, suas palavras raivosas e sua careca reluzente mais me lembra Lorde Valdemort, megavilão dos filmes de Harry Potter. Vade retro!