Futebol & Cia.

Problemas de última hora

Jornal do Brasil
Futebol & Cia.
Renato Mauricio Prado

A contusão de Daniel Alves é grave e, mesmo que ele consiga se recuperar a tempo de disputar alguns jogos da Copa (da estreia já está afastado) é impossível que esteja em boa forma. Problemão para Tite pois nenhum dos possíveis reservas têm o nível dele. Não custa lembrar, Neymar é outro que chegará à Rússia sem estar na plenitude física e técnica. O treinador da seleção brasileira deve estar rezando para que nada mais aconteça nos dois próximos finais de semana, que encerram a temporada europeia. 

Levar craques em más condições físicas para a Copa não traz boas lembranças para a seleção: vide Reinaldo, em 78, na Argentina; Zico, em 86; no México; Romário, em 90, na Itália e o próprio Baixinho, em 98, na França (cortado a dias da estreia). A exceção que confi rma a regra é Ronaldo, em 2002. Quase ninguém apostava na recuperação dele, que acabou sendo decisivo para a conquista do pentacampeonato.

A besteira do momento 

A boa atuação do Flamengo na vitória sobre o Internacional já leva muita gente açodada a especular uma possível barração de Diego, para a manutenção do time que começou o jogo contra os colorados. Que bobagem! Everton Ribeiro, de fato, esteve muito bem na última partida, atuando pelo meio, mas foi pela direita que brilhou intensamente em duas temporadas no Cruzeiro. De mais a mais, Geuvânio continua a não render nada, portanto, o bom-senso indica que a melhor formação rubro-negra é com a volta de Diego (que só saiu da equipe por causa de uma contusão) e Everton Ribeiro pelo lado. 

O que, de fato, mudou para melhor o jeito de jogar do Fla foi a fixação de Lucas Paquetá como uma espécie de segundo volante, a titularidade de Vinícius Jr. e a excelente forma de Cuellar.  Com a escalação de Guerrero, desde o início, o que deve acontecer hoje à noite diante da Ponte Preta, este será o melhor Flamengo possível, com o elenco que existe, hoje. Melhoraria ainda mais se o horroroso Renê fosse barrado e Trauco escalado em seu lugar. Mas aí me parece que é pedir demais...

Altitude criminosa 

Futebol disputado em altitudes acima de 3.000 metros é quase um crime. Potosí, cidade aonde o Fluminense jogará hoje, pela Sul-Americana, está a 4.090 metros acima do nível do mar. Pior: o tricolor não pode nem fazer o tradicional estágio de preparação em Sucre (2.810 metros). Mesmo assim, a diferença técnica entre os times do Flu e o Nacional é tão grande que não creio em zebras. Até porque o time de Abel venceu o jogo de ida por 3 a 0. O maior problema para a turma das Laranjeiras será mesmo o desgaste físico que a viagem causará, pois segunda tem clássico contra o Botafogo, pelo Brasileiro. Na Sul-Americana, o Fluminense vai em frente.

Acusações pesadas 

Os vice-presidentes que deixaram a diretoria de Alexandre Campello saíram atirando pesado contra o presidente. Insinuações de que o dinheiro da venda de Paulinho não foi contabilizado de forma transparente e acusações de conflito de interesses, pela contratação de médicos que são sócios do dirigente em uma clínica particular; entre outras coisas. O presidente respondeu de forma tímida, numa entrevista coletiva na qual, uma vez mais, se mostrou hesitante e acuado. Acho cada vez mais improvável que consiga completar o mandato. Só um grande desempenho do time de Zé Ricardo pode salvá-lo. O que também soa pra lá de improvável.

A raposa e as uvas 

Ridícula, a atitude do presidente do Atlético Mineiro, Sergio Sette Câmara, menosprezando a Copa Sul-Americana, chamada por ele de Segunda Divisão da Libertadores. A declaração veio logo após a eliminação de seu time, na primeira fase, diante do San Lorenzo. Se considera a competição tão fuleira, por que concordou em disputá-la? Infelizmente, de segunda são os nossos cartolas.

Sangue cenográfico 

Campeonato do Espírito Santo, jogo no acanhado campo do Guarapari. Na metade do segundo tempo, nuvens ameaçadoras surgem no céu e em pouco tempo desaba um tremendo temporal. A bola segue rolando no gramado enlameado mas, de repente, os torcedores começam a gritar, alertando o juiz Antônio Bouaiz Filho: 

- Seu juiz, o bandeirinha está sangrando! 

Bouaiz, que estava no meio-campo, vira-se para a lateral próxima ao alambrado e constata que, de fato, o auxiliar (um veterano que se aposentava naquela partida) estava vermelho da cabeça aos pés. 

- O que houve? Foi pedrada, paulada, cabeçada, o que? – pergunta o árbitro, que se aproximara correndo. E o bandeira apenas balança a cabeça, mandando a partida seguir. 

- Eu sei que hoje é a sua despedida, amigo, mas você não pode continuar em campo nesse estado. O que houve? Me conta! 

E o veterano do apito, rosnando, entre dentes: 

- A culpa é da minha mulher, que me comprou essa tinta de cabelo acaju vagabunda! Segue o jogo...