Futebol & Cia.

O presidente do futebol

Jornal do Brasil
Futebol & Cia.
Renato Mauricio Prado

A pós a Copa da Rússia, é vontade dos dirigentes da CBF entregar todo o comando do futebol brasileiro a Tite. Ele deixaria de ser o treinador, mas escolheria o seu sucessor e passaria a cuidar de todas as seleções (inclusive as de base), implantando uma filosofia única nas equipes que vestirem a “amarelinha”.

Mais que isso, seria também uma espécie de ouvidor para qualquer assunto da bola por aqui. Passaria a decidir, por exemplo, as questões de calendário e a organização dos Campeonatos Brasileiros e da Copa do Brasil. Em resumo: seria o CEO do futebol na CBF, deixando para os cartolas apenas os aspectos políticos.

Resta saber se Tite aceitará tal desafio. Seus amigos dizem que o sonho do técnico é dirigir algum time europeu – em princípio, não se interessa em voltar a treinar clubes no Brasil. A grande barreira continua a ser o idioma. Pelo que se viu nas últimas entrevistas coletivas da seleção, Tite segue não falando, nem entendendo inglês. E seu espanhol está muito mais pra portunhol do que castelhano.

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Mas... 

Apesar desses planos, não pegou nada bem a intromissão de Tite na promoção de um dos principais patrocinadores da seleção (a Mastercard). Cá entre nós, ele não tinha nada que se meter na história de a gigante internacional operadora de cartões de crédito resolver dar 10 mil refeições para organizações carentes da América Latina, a cada gol de Neymar e Messi, na Copa. A campanha “Juntos, somos 10” era toda baseada nos dois camisas 10 e o técnico veio com uma tremenda demagogia de que o futebol é coletivo e que qualquer gol deveria ser premiado. No final das contas, a Mastercard anunciou que doará 1 milhão de refeições independentemente dos gols marcados. 

Protegido 

Desde que Renato Augusto se transferiu para o futebol chinês, seu jogo murcha a olhos vistos. Natural. O que não é nada natural é a proteção que Tite lhe dá na seleção brasileira. Não era nem pra ter sido convocado. Agora, com uma inflamação crônica no joelho, vem sendo mantido com o grupo de forma injustificável. Já deveria ter sido cortado.

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O desafio de agosto 

O sorteio das oitavas de final da Libertadores foi cruel com o Flamengo. De cara, enfrentará o Cruzeiro, seu algoz na final da Copa do Brasil, no ano passado. Se passar, pode encarar o Boca Juniors, nas quartas, e evoluindo para a semifinal, o Palmeiras. Para finalizar, é possível ter como adversário, na grande decisão, o Grêmio. É mole ou quer mais? Um caminho só com campeões da principal competição do continente pela frente... 

Pior que essa possível rota dificílima que o Flamengo pode enfrentar até o sonhado título da Libertadores é o calendário que o aguarda em agosto, encavalando datas da Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro e da própria Libertadores. Senão vejamos:

01/08: Grêmio x Fla (Copa do Brasil) 

05/08: Grêmio x Fla (Brasileiro) 

08/08: Fla x Cruzeiro (Libertadores) 

12/08: Fla x Cruzeiro (Brasileiro) 

15/08: Fla x Grêmio (Copa do Brasil) 

19/08: Atlético Paranaense x Fla (Brasileiro) 

22/08: Fla x Vitória (Brasileiro) 

26/08: América MG x Fla (Brasileiro) 

29/08: Cruzeiro x Fla (Libertadores)

Nove jogos em menos de um mês, nenhum com mais de quatro dias sequer de descanso entre eles. E não vai dar pra poupar ninguém, pois o Flamengo tem chances reais em todas as competições.

Urge usar a parada da Copa para fazer uma preparação física toda especial e, também, importantíssimo, para contratar alguns reforços que permitam suprir os possíveis (e prováveis) desfalques por contusões ou cartões amarelos. Caso contrário, quando setembro vier, o Mais Querido corre sério risco de estar fora da briga pelo título nos três campeonatos.

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No lugar de Vinícius Jr. 

Corre nos bastidores da Gávea que um dos reforços que podem ser contratados na janela do meio do ano é Vitinho, ex-Botafogo e Internacional. Ele viria para o lugar de Vinícius Jr., que os próprios dirigentes já consideram praticamente impossível continuar no clube depois da parada para a Copa.

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Papelão no Paraná 

O Fluminense não somente desperdiçou a grande chance de se tornar vice-líder isolado do Brasileiro (a apenas três pontos do líder Flamengo) como acabou protagonizando um papelão, no Paraná, ao ser derrotado pelo lanterna do torneio, que até então não ganhara de ninguém. Mais grave, perdeu Marcos Júnior, com mais uma contusão muscular e ficou sem o ataque titular para o Fla-Flu de quinta-feira, em Brasília. E o pior de tudo: a derrota foi merecida, pois o tricolor carioca não jogou bulhufas. Abel terá que queimar as pestanas para rearmar sua equipe que, com os 11 titulares, até vinha dando para o gasto, mas ao perder três de seus melhores jogadores (Ayrton Lucas, Pedro e agora Marcos Júnior) expôs todas as fragilidades do elenco.

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Com o pé esquerdo 

Valdir Bigode começou mal, como técnico interino do Vasco. Promoveu a volta de Paulão à zaga titular. E ainda queria ser efetivado...