Futebol & Cia.

Vou jogar na cabeça de área

Jornal do Brasil
Futebol & Cia.
Renato Mauricio Prado

Que responsabilidade! Agora, olho pra um lado e vejo Tostão, pro outro e me deparo com PVC e Juca. Que timaço de colunistas o Jornal do Brasil armou pra essa Copa! Vou recuar para a cabeça de área e ficar só lançando e correndo pro abraço. Os três já começam hoje, falando do Mundial da Rússia, mas vou seguir um pouco mais por aqui com o Brasileirão, que ainda tem duas rodadas até a paralisação. Amanhã, sim, com o último amistoso da seleção, falo um pouco mais sobre a turma da amarelinha.

A grande pergunta do Campeonato Brasileiro, no momento, é de quantos pontos será a diferença do Flamengo para o segundo colocado, quando o torneio parar. Sim, porque ninguém acredita que o rubro-negro tropece hoje contra o Paraná e, vencendo logo mais no Maracanã (que, uma vez mais terá público em torno de 40 mil espectadores), mesmo que perca para o Palmeiras, no meio de semana, na Allianz Arena, se manterá na liderança. A diferença para os demais (ao final da décima rodada era de cinco pontos) será determinada pelo que seus principais seguidores fizeram em seus dois próximos compromissos.

Cá entre nós, nem o mais otimista dos rubro-negros poderia prever tal situação, após um início de ano pra lá de conturbado, com a saída de Reinaldo Rueda, a improvisação e posterior demissão de Paulo César Carpegiani e a escolha de um jovem e inexperiente interino para dirigir o time, pelo menos até a parada da Copa.

Que a boa impressão não se desfaça nessas duas partidas que faltam e se consolide depois do Mundial, quando chegar a hora da onça beber água, com as disputas simultâneas da Copa do Brasil, da Libertadores e do Brasileiro, num agosto de arrepiar.

REFORÇOS, JÁ

Fluminense, Botafogo e Vasco encontram-se pertinho, no meio da tabela de classificação. O tricolor até andou se arriscando lá em cima, chegando à vice-liderança, mas as contusões seguidas num elenco limitado desmontaram o bom trabalho de Abel – já são duas derrotas consecutivas e antes houve um empate.

Os três clubes precisam aproveitar a parada da Copa para se reforçar. Do jeito que estão, tendem a ficar mais próximos da zona de rebaixamento do que da luta por uma vaga na Libertadores. Se não há dinheiro (e não há), o jeito é usar a criatividade e garimpar valores nas divisões de base ou em clubes da segunda divisão. Caso contrário, o futuro será sombrio.

EMOÇÕES À VISTA

Há muito tempo não se vê as três primeiras posições do grid ocupadas por carros de escuderias diferentes. Aconteceu em Montreal, ontem, com Vettel, garantindo a pole, com a Ferrari; Bottas, fechando a primeira fila, com a Mercedes; e Verstappen, ficando em terceiro, com a Red Bull. A largada na Ilha de Notre Dame promete. E a corrida inteira, também.

No GP do Canadá, sair na primeira posição não chega a ser determinante. A pista tem muitos pontos de ultrapassagem e a diferença de tempos entre Ferrari, Mercedes e Red Bull é pequena. Como Hamilton (em quarto), Raikkonen (em quinto) e Ricciardo (em sexto) também estão ali grudadinhos, tudo pode acontecer.

Para apimentar ainda mais as primeiras voltas, os dois pilotos da Red Bull largarão com os pneus mais macios, ao contrário de Ferrari e Mercedes, que usarão os médios. Só espero que Max Verstappen não provoque um tremendo boliche na primeira curva.

PARA ONDE IRÁ? 

Expectativa total na NBA. Cansado de carregar o Cleveland Cavalliers nas costas, LeBron James (que jogou as três últimas partidas das finais com uma das mãos fraturada) está de malas prontas. Só não sabe para aonde. Tomara que seja num time que lhe permita brigar, de igual para igual, com o Golden State Warriors, disparado o melhor elenco dos EUA. Já imaginou se for para o Houston Rockets? 

A MAIOR DE TODAS

Não vi Maria Esther Bueno ganhar nenhum de seus 19 títulos de Grand Slam (pouquíssimos brasileiros viram). Eu era muito garoto e naquela época (anos 60), nem se sonhava em transmissões dos principais torneios de tênis pela TV. Mas li muito sobre suas conquistas nos jornais. E, por isso, sempre fui muito fã de “Estherzinha”, como era então chamada, no Brasil, a nossa Bailarina das Quadras.

Sua partida, aos 78 anos, deixa órfãos os amantes do esporte no mundo inteiro. “Maria Bueno”, como era chamada no circuito, sempre foi vista entre os tenistas como uma lenda viva. Reverenciada, com justiça, em qualquer torneio do Grand Slam em que aparecesse. Ontem, antes da final feminina de Roland Garros (vencida pela romena Simone Halep) ela foi, uma vez mais homenageada, com uma tocante salva de palmas de todos os presentes na Phillippe Chatrier. Triste que não tivesse tanto reconhecimento por aqui. Foi, indubitavelmente, a maior atleta brasileira de todos os tempos. Descanse em paz, supercampeã.

PORTUGUÊS SEM TRADUÇÃO

Nos tempos em que dirigiu a seleção de Portugal, Luiz Felipe Scolari divertia os jornalistas patrícios com suas expressões bem brasileiras no futebol. Após a classificação para a final da Eurocopa (que acabaria perdendo para a Grécia), Felipão disparou, na entrevista coletiva:

- Como dizem no Brasil, parecia até um bumba-meu-boi, ou seja, um jogo lá e cá, muito aberto e disputado.

O repórter da RTP, o canal português, não pensou duas vezes:

- Está aí mais uma expressão tipicamente brasileira incorporada agora à linguagem futebolística portuguesa. Depois do “mata-mata”, a nova é a “bunda do boi”...

Pano rápido.