Futebol & Cia.

Seleção de Tite está pronta

Jornal do Brasil
Futebol & Cia.
Renato Mauricio Prado

Assim como já tinha acontecido, no amistoso anterior, contra a Croácia, o primeiro tempo da seleção brasileira, diante da Áustria, não empolgou – concentrava demais o jogo pela esquerda e o gol, de Gabriel Jesus, foi marcado em escandaloso impedimento. Depois do intervalo, porém, o Brasil se acertou, embalou e chegou com facilidade ao placar de 3 a 0 (gols de Neymar e Phillippe Coutinho). Poderia até ter marcado mais.

No balanço geral, pode-se dizer que os 45 minutos finais, antes da estreia na Copa, deixaram a agradável sensação de que o time de Tite está pronto. É esse que começou jogando e é muito bom. Se vai levantar o caneco, já é outra coisa. Mas que há chances reais para o hexa, há. Que venha a Suíça!

Deus e Demônio

Mesmo sem ritmo de jogo, Neymar foi decisivo, ao marcar um golaço - o segundo da seleção, dando um drible desmoralizante em seu marcador e tocando por baixo do goleiro. Até balançar as redes, porém, tinha uma atuação preocupante. Exagerava nos lances de efeito (errava quase todos) e, sofrendo muitas faltas, se perdia em discussões com os adversários e com a arbitragem. Pior: parecia querer uma bola só pra ele.

Menos mal que, após balançar as redes, o camisa 10 relaxou. E chegou a dar um lindo passe de calcanhar para Firmino marcar, mas o goleiro austríaco fez grande defesa. Esse Neymar generoso, capaz de organizar as jogadas e abrir mão de uma conclusão, em favor de um companheiro mais bem colocado, é que o Brasil precisa.

Nada contra seus gols, suas arrancadas individuais e seus dribles, muito pelo contrário. Desde que eles não tenham como principal objetivo ser eleito o craque do Mundial, para lutar com mais chances na votação de melhor jogador do mundo. A principal missão de Neymar, na Rússia, é desequilibrar os jogos e facilitar as vitórias do Brasil. Não as dele mesmo. Cabe a Tite convencê-lo disso.

Factoide

E essa história de Tite dizer que ainda não sabe qual será o time da estreia? Tremenda cascata. Até a substituição que fez, ontem, ao colocar Fernandinho em campo (saiu Casemiro), mostra que ele desistiu do esquema com três volantes. Graças a Deus!

O craque do jogo

Ninguém jogou mais que Phillippe Coutinho, em Viena. O ex-jogador do Vasco foi o solista da seleção e, além do belo gol (após tabela com Roberto Firmino) criou várias outras boas oportunidades, levando sempre perigo ao gol austríaco com seus chutes de fora da área. É impensável qualquer formação brasileira sem que ele seja o maestro.     

Sequência notável

E mais um dia de Maracanã cheio (quase 60 mil presentes), a vitória do Flamengo sobre o Paraná, um dos times na zona do rebaixamento, era obrigação para o líder do campeonato. Mas se a atuação no triunfo não chegou a ser empolgante, bastou para coroar a notável sequência de cinco vitórias obtidas pelo rubro-negro, nas últimas cinco rodadas. Graças a ela, mesmo se for derrotado pelo Palmeiras, na próxima quarta-feira, no último jogo antes da paralisação para a Copa, o Mais Querido se manterá na liderança com, pelo menos, três pontos de vantagem sobre o segundo. 

Chuva de gols 1

Na Fonte Nova, o Botafogo liderou o placar três vezes, mas nem assim conseguiu derrotar o Bahia. O empate final em 3 a 3 mostra como o jogo foi animado. Nas últimas cinco rodadas, o Glorioso venceu apenas uma vez. Sequência pra lá de preocupante.  

Chuva de gols 2

O Fluminense até que começou bem, lutou um bocado e resistiu enquanto pode, no Independência. Mas depois do empate em 2 a 2, no primeiro tempo, o Atlético deslanchou uma goleada de 5 a 2. Foi a terceira derrota consecutiva do tricolor carioca, que nas últimas cinco rodadas também só venceu uma vez. A única boa notícia para Abel foi a volta do jovem e talentoso centroavante Pedro, autor do segundo gol do Flu.

Sono na pista

A corrida emocionante que se esperava pelo fato de três carros de escuderias diferentes ocuparem as primeiras posições do grid foi um fiasco. Nem na largada houve emoção no Grande Prêmio do Canadá. A prova foi uma autêntica procissão. Praticamente ninguém passou ninguém na pista. Somente nos boxes. O GP da Ilha de Notre Dame conseguiu a proeza de ser ainda mais chato que o de Mônaco. Duvido que os americanos da Liberty, novos donos da F-1, já não estejam pensando seriamente em mudanças radicais para devolver as emoções ao circo da velocidade.

Tédio na quadra

Não teve graça a final de Roland Garros. Rafael Nadal atropelou Dominic Thiem, em sets diretos: 6/4, 6/3 e 6/2. O Miúra chega assim ao seu décimo primeiro título no saibro parisiense (o décimo sétimo de Grand Slam) e merece aplausos de pé pelo feito extraordinário. Mas, cá entre nós, ele estragou o charmoso Aberto de Paris – o único Grand Slam que, com 99% de certeza, você já sabe quem vai ganhar, antes mesmo da primeira rodada. Dos últimos catorze torneios, ele faturou onze - Federer (2009), Wawrinka (2015) e Djokovic (2016) venceram os restantes.

Com a corda toda

Diretamente da praça General Osório, Bagá me envia o zap, tão logo acaba o amistoso do Brasil:

- Como preliminar do Mengão, até que foi divertido o joguinho da seleção...