Jornal do Brasil

Heloisa Tolipan

Klebber Toledo: "Não quero ser celebridade. Quero contar histórias"

Em cartaz com "Real - o plano por trás da história", ele irá estrear mais duas produções

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Ele é considerado um dos atores mais bonitos da nova geração. Dono de olhos azuis encantadores, Klebber Toledo se revela mais que um homem de boa aparência. Engajado, talentoso e cheio pensamentos modernos, o ator está mergulhado em diversos projetos da carreira, dos cinemas à televisão. Em entrevista à coluna, Klebber reforçou que vai além de ser um rostinho bonito na telinha e, sim, é uma jovem fonte de arte e informação. No elenco dos longas “Real – o plano por trás da história”, “Todo o meu amor” e “Pixinguinha”, o ator contou que está vivendo uma intensa relação com o cinema. Quando o assunto é televisão, a novidade vem embalada pela curiosidade, na primeira série da carreira, “Somos Tão Jovens”, que estreia no mês que vem na Globo.

(Foto: Vinícius Mochizuki)
(Foto: Vinícius Mochizuki)

A começar pela telona, Klebber Toledo estrela o longa “Real – o plano por trás da história”, que estreou no último dia 25. No filme, o ator leva para os cinemas o panorama brasileiro da época da criação do Plano Real, que movimentou a economia e a política nacional nos anos 1990 e se mantem presente até hoje. Na pele de Marcelo, um homem solidário e altruísta, Klebber acredita que seu personagem é o contraponto do protagonista do longa, vivido por Emílio Orcciolo Neto. “Eles são completamente diferentes. Inclusive, eu acho que o meu personagem tem uma função de posicionamento na história, para representar o oposto do Gustavo, interpretado pelo Emílio. Enquanto o Marcelo acredita na divisão e na importância de dar mais chances às classes menos favorecidas, o Gustavo é extremamente individualista e quer o capitalismo no nosso país e no mundo”, explicou.

No entanto, apesar do caráter solidário de Marcelo, Klebber Toledo afirmou não enxergar seu personagem no longa como uma possível utopia da sociedade moderna. Embora tenha pensamentos relevantes para o atual cenário, o ator garantiu que ele não é tão bom quanto parece. “Eu acho que não dá para tirar o Marcelo como base. Ele, inclusive, tem muitas ideias que e não concordo e acho super erradas também. Se for para pensar em um símbolo de utopia, por exemplo, acreditaria em alguém que fosse 100% transparente e verdadeiro. É disso que estamos precisando. Quem conseguir demonstrar que está realmente engajado em ajudar o povo e não esconder como faz para conseguir isso irá ganhar a confiança e o reconhecimento dos brasileiros”, apontou.

E, por falar nisso, o filme estreia em um momento em que o Brasil passa por muitas mudanças no cenário político e econômico, tal como foi retratado no enredo do longa. Não por acaso e nem proposital, Klebber Toledo acredita que esta combinação de datas seja uma consequência do panorama de transformações pelo qual estamos passando. Desde a época quando o filme foi gravado, o cenário nacional já vivia algumas novidades e, com o tempo, a situação só foi se potencializando. “Essas crises e escândalos que acompanhamos não se de hoje. Desde o Mensalão, em 2005, os brasileiros já vêm vendo novidades a cada dia e, quando gravamos o filme, não era diferente. Eu acredito que estamos desenrolando um novelo de lã e que ainda vai sair muita informação e escândalo deste emaranhado. Afinal, são milhares de políticos, dezenas de partidos e milhões e até bilhões de reais envolvidos”, avaliou.

(Foto: Vinícius Mochizuki)
(Foto: Vinícius Mochizuki)

Com tudo isso, o filme “Real – o plano por trás da história” ganha ainda mais atualidade nos cinemas. Mas, para Klebber Toledo, esse fôlego contemporâneo não tem só o lado positivo. O ator acredita que, por esse ser um assunto tão falado diariamente nos noticiários, as pessoas possam estar um pouco saturadas da temática. “Nós não aguentamos mais ouvir falar sobre isso, mas é muito importante que tenhamos outra visão do panorama atual. O filme mostra o que aconteceu lá no passado e nos ajuda a entender porque pagamos tantos impostos e como a nossa economia se construiu para o que vivemos hoje. Eu vejo que esse longa é mais que historinhas de entretenimento, é uma aula”, destacou.

Mas este não é o único trabalho de Klebber Toledo para as telonas. Como adiantamos, o ator também está no elenco de “Todo meu amor”, que deve estrear em setembro deste ano. Neste filme, Klebber dá vida a diversos conflitos amorosos, que surgem a partir de uma relação inesperada. “Meu personagem é um pai que teve uma filha por acidente e que, depois que ela nasce, se vê completamente apaixonado pela criança e pela mulher. Porém, no meio desta família, surge o ex-namorado da mãe, que mexe com os sentimentos dela e do meu personagem. E então, começa um conflito nas relações e ele passa a ser manipulado”, contou Klebber Toledo que, para completar, também está no elenco do filme “Pixinguinha”. “Estou vivendo uma loucura na minha carreira. Eu estou muito feliz e tive uma imensa sorte de trabalhar em três filmes incríveis, com boas histórias, diretores sensacionais e um elenco super especial. Em ‘Pixinguinha’, por exemplo, eu tive a honra de ser dirigido pela Denise Saraceni, que sempre via na televisão, mas ainda não conhecia”, comemorou.

E esta relação tão intensa com a telona, pela qual Klebber está passando, não foi proposital, como explicou o ator. Segundo ele, os convites para o cinema já existiam, mas nem sempre as propostas e a agenda agitada de Klebber permitiam esse mergulho. “Eu tenho a sorte de receber muitos convites, mas nem todos os personagens me cativam. E isso não tem a ver com o fato de ser protagonista ou não. Eu quero fazer trabalhos que tenham uma relevância e me instiguem a contar aquela história. Outra questão importante que eu gosto de analisar quando recebo esses convites é a equipe do filme. Eu gosto de trabalhar com diretores e roteiristas que eu admiro, porque assim, é o melhor jeito que eu tenho de aprender. Fora que ainda tinha a minha agenda de novelas”, explicou Klebber.

E assim, apesar do momento intenso no cinema, Klebber Toledo também estreia na televisão. Desta vez, em um novo formato, o ator faz seu début nas séries, em “Somos Tão Jovens”, que estreia na Globo em julho. Na atração, ele fará a primeira fase de uma história de amor moderna que, depois, será vivida por Fábio Assunção. “O meu personagem é um gênio que está indo para um caminho na vida quando, de repente, conhece uma mulher, se apaixona profundamente, e muda toda a direção. Depois de um salto de 30 anos na história, quando o Fábio passa a fazer, o personagem se torna um cientista que exalta a importância de estarmos belos por fora, enquanto a mulher é famosa por manter um discurso da valorização da beleza interior”, adiantou sobre o dilema da série. Nesta nova experiência, Klebber Toledo não escondeu a mistura de sensações em relação ao novo formato. “Eu adorei, mas, ao mesmo tempo, fiquei triste porque passou muito rápido. Diferente das novelas, que a gente fica quase um ano naquela história, para a série, foram apenas três meses de processo”, comparou.

Se em seu atual trabalho para a televisão Klebber Toledo interpreta um dilema entre a valorização da beleza interior e exterior, em sua vida pessoal, o ator tenta manter um equilíbrio entre os dois lados. Enquanto externamente Klebber é unanimidade, por dentro, o ator mostra que tem conteúdo, engajamento e consciência social. Porta-voz de diversos temas para mais de dois milhões e meio de seguidores no Instagram, Klebber Toledo vai além das postagens de trabalho e da vida pessoal. Em sua conta, o ator também transita por importantes temas, como campanhas de assédio e de conscientização sustentável, que é o seu preferido, como contou. “Eu tento sempre levantar a bandeira do meio ambiente e da preservação da natureza. Nós estamos acabando com tudo, da economia ao caráter, e não quero que meus filhos e netos não tenham direito nem à natureza. Essa é a única riqueza que eu ainda posso lutar por eles. Por isso, eu tento ser um cara super consciente e usar a minha visibilidade para essas questões”, comentou o ator que, nesta paixão pela natureza, também se divide entre o surfe.

“Eu não vou deixar de gritar sobre o que eu acredito e de ser eu. Eu não quero ser celebridade, quero contar histórias e usar a minha profissão para ser um porta-voz desses enredos. O meu desejo é conseguir fazer com que as pessoas reflitam a partir do que eu estou falando, seja como ator ou cidadão. Esse é o maior orgulho que eu posso ter da minha profissão. Não estou aqui pensando em seguidores ou dinheiro, tenho uma razão maior”, argumentou Klebber Toledo que provou, novamente, ser muito mais do que um belo par de olhos azuis. “A beleza não é tudo e nem eu quero que seja. Até porque, ela não dura para sempre. Se eu posso ser mais que um rostinho bonito, eu não vou desistir de levantar minhas bandeiras. Hoje, eu tenho dois milhões e meio de seguidores no Instagram. Se, a cada postagem, eu conseguir atingir dez pessoas de verdade, já estou muito feliz”, disse o ator.