Influência do Jazz

Jeremy Pelt em uma noite quente na Cidade Luz

Jornal do Brasil
Influência do Jazz
Thiago Goes

Não há como negar o deleite de todo jazzófilo com discos gravados ao vivo. Das noites históricas no Village Vanguard aos festivais de Newport, a experimentação ao vivo traz sempre mais veracidade à música, seja pela vibração da plateia ou pelas improvisações que sempre que levam o público ao delírio. Tal veracidade está comprovada em “Noir en Rouge: Live in Paris” (2018), do trompetista californiano Jeremy Pelt, gravado durante um show no emblemático Sunset Sunside, em pleno verão parisiense. 

Aos 41 anos, Pelt, que frequentemente tem seu estilo comparado a mestres do trompete como Lee Morgan e Freddie Hubbard, demonstra que o rótulo de “estrela em ascensão” ficou para trás. De maneira confiante e segura, ele apresenta uma fusão rítmica, alternando o mais tradicional do jazz com as novas tendências do gênero. 

O álbum foi planejado para estender a lista da rica história de gravações de jazz ao vivo em Paris. Pelt apresenta uma banda composta por jovens astros do neo-bop, atuando com exímio entrosamento, algo típico de um grupo que regularmente trabalha junto, como em “Making noise”, lançando em 2017 pela HighNote Records.

As melodias, em sua maioria, são originais de Pelt, com exceção de “Sir Carter”, feita pelo talentoso pianista e membro da banda Victor Gould, e “I will wait”, de Michel Legrand, tema do filme “Os guarda-chuvas do amor”, de Jacques Demy.

Disco gravado durante um show no emblemático Sunset Sunside, em pleno verão parisiense

O disco se destaca pela alternância rítmica  entre as faixas. De baladas românticas como “Black love stories” e “I will wait” às enérgicas “Re-invention” e “Evolution”, incrementadas sempre com a calorosa percussão  de Jacquelene Acevedo. Sobra até espaço para um monólogo com tons humorísticos do cotidiado em “Château d’Eau”. Ufa!

Vicente Archer no contrabaixo e Jonathan Barber na bateria completam esse time de estrelas, que liderado pela força, destreza e alma de Pelt, mantém a mística das gravações ao vivo, aquecendo Paris com uma revolução musical na dose certa.

BEBOP

Como vinho Lançado há dez anos pela gravadora Biscoito Fino, “Os Bossa Nova”, trabalho que reúne o quarteto João Donato, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Marcos Valle, volta à ativa em homenagem aos 60 anos da Bossa Nova, relançando o álbum com duas faixas inéditas. Após três shows esgotados no Sesc Pinheiros, em São Paulo, o projeto chega ao Rio de Janeiro em setembro, nos dias 22 e 23, no Blue Note Rio, mostrando que o o tempo só vem fazendo bem a esses grandes mestres da música brasileira.    

A música resiste I Apesar da crise que assola o carioca, o mapa de 2018 indica que a cidade oferece mais opções de shows de jazz. A chegada de clubes como Manouche (da Casa Camolese) e Blue Note Rio, unindo-se aos já tradicionais Beco das Garrafas, TribOz e Sala Baden Powell, somados aos projetos musicais em teatros como XP, Oi Casagrande e Fashion Mall, mostram que o show tem que continuar. Vida longa aos espaços. O Rio merece e agradece! 

A música resiste II Das casas de shows e clubes de jazz para o alto do morro. O britânico Tom Ashe criou, há cinco anos, a ONG Favela Brass, pela qual ensina instrumentos de sopro e percussão para crianças de 4 a 16 anos. O projeto começou na comunidade Pereira da Silva e hoje atua também no Morro dos Prazeres e Fallet-Fogueteiro, trazendo música e esperança para quase cem crianças. Elas já se apresentaram no Vivo Rio e até na casa da BBC durante a abertura das Olimpíadas do Rio.