Jornal do Brasil

Informe JB

Passageiros rebatem versão de Miriam Leitão sobre ataques em voo

Jornal do Brasil

Após a forte repercussão do relato da jornalista Miriam Leitão, da Rede Globo, que afirma ter sido atacada e agredida verbalmente por militantes do PT durante um voo da Avianca de Brasília para o Rio, passageiros que estavam no avião questionam a versão. O relato foi publicado na última terça-feira (13), e o episódio teria acontecido no sábado, (3), dez dias antes.

Além das versões questionando o relato, algumas questões ficam no ar: por que Miriam Leitão demorou dez dias para publicar a denúncia de que havia sido atacada em voo? Por que o piloto não tomou nenhuma atitude, já que, segundo o relato de Miriam Leitão, as manifestações contra ela eram tão graves, e o piloto é a maior autoridade a bordo?

Vale ressaltar que, apesar de todas as graves informações divulgadas pela jornalista, nenhuma queixa foi registrada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e nem nenhuma providência foi anunciada pelo órgão.

Vale lembrar ainda que todos os passageiros de um avião são identificados, inclusive em quais assentos estão. Em seu relato, Miriam Leitão enumera o voo, horário e trajeto do avião: voo 6237 da Avianca, das 19h05, de Brasília para o Santos Dumont. Com todos estes dados, seria muito fácil identificar os agressores e providenciar as cabíveis punições.

>> PT lamenta ataques a Miriam Leitão, mas atribui "clima de ódio" à Rede Globo

Jornalista Miriam Leitão relatou ataques em avião
Jornalista Miriam Leitão relatou ataques em avião

Versões

Rodrigo Mondego, coordenador da Setorial de Direitos Humanos do PT, rebate a versão de Miriam Leitão. Em entrevista ao portal Fórum, Rodrigo conta que a jornalista foi reconhecida na fila de embarque, e parte dos militantes ficou “ouriçada” por ela ser uma das principais críticas ao partido, “que participou desse massacre midiático de mais de uma década contra o PT, com verdade e inverdades”, afirma.

Nessa hora, por ser advogado, conversou com as pessoas e falou para não dirigirem a palavra diretamente a ela. “Fazer manifestação contra a Globo é legítimo, é um direito constitucional, mas em nenhum momento dirija a palavra diretamente para a Míriam, porque ela vai querer, com certeza, criminalizar como uma injúria ou algo do tipo”, aconselhou.

Ele conta que, assim que embarcaram, mesmo antes de os militantes cantarem, a Polícia Federal entrou o avião. Um policial de terno foi até a parte de trás da aeronave e questionou: "Quem é o líder? Quem estava fazendo aquilo?" A resposta foi que não havia líder, ali todo mundo era dirigente do partido. “E a gente não está fazendo nada. Quando a Polícia Federal saiu e o piloto decidiu decolar, o pessoal começou a gritar “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, a “verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, e cânticos do tipo.”

Ele relata que o voo não foi tranquilo, com algumas pessoas sentindo mal-estar pelas manobras do piloto. Assim que o avião estava descendo no Santos Dumont, novamente voltaram a gritar: “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo.” “Golpistas não passarão, fascistas não passarão.” Mas, segundo ele, um grito aberto, nunca olhando ou focando em Míriam Leitão.

Sobre a afirmação da jornalista em O Globo, que diz ter sido xingada por 2 horas, Mondego diz que é mentira. “As pessoas gritaram quando o avião estava subindo e quando estava descendo contra a Globo. Fora isso, ficaram fazendo brincadeiras entre si, num grupo de amigos. Sem contar que metade dos delegados eram mulheres, que discutiram sobre violência à mulher no congresso do partido, e nunca permitiriam um ataque machista, de conotação sexista”, diz.

Outra afirmação que o advogado afirma ser mentira de Míriam é que as pessoas ficavam empurrando a cadeira dela no voo. “Mentira, até porque ela estava perto do pessoal que era mais velho do partido, no meio do avião. Ela mente. Se isso não foi algo armado para ela se vitimizar, e mais uma vez atacar os militantes do PT, é muito estranho. Inclusive tem fotos dos comissários filmando tudo e não tem nenhuma filmagem até agora que comprove esses ataques absurdos que ela diz ter sofrido”, conclui.

Em seu Facebook, Rodrigo Mondego escreveu:

Cara Miriam Leitão,

A senhora está faltando com a verdade!

Eu estava no vôo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime.

O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de vôo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.

Se a carapuça serviu com os gritos de “golpista”, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples.

E seja sincera, a senhora odeia o Partido dos Trabalhadores e o atacou das mais diversas formas na última década, aceitando inclusive se aliar com os que antes foram seus algozes na ditadura militar.

A professora universitária Lucia Capanema Alvares, que estava no voo, também rebateu o relato da jornalista.

“Achava que você só mentia na telinha, Miriam”, ironiza Lucia, que lembra: "Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa".

Na semana passada, Lucia Capanema publicou uma denúncia sobre esse mesmo voo, e apontou violação aos direitos dos passageiros por conta da entrada de um agente da Polícia Federal e a filmagem de um dos funcionários da companhia de aviação.

Confira a íntegra do relato:

Míriam Leitão e o PT

Como nunca visitei seu blog achava que você só mentia na telinha, Miriam.

Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa. O episódio narrado por mim na semana passada a respeito da entrada de um agente da Polícia Federal no voo 6342 da Avianca no dia 03 de junho foi confirmado em nota oficial pela própria companhia aérea. Você pode dizer na melhor das hipóteses que não viu o agente, mas não pode afirmar que "Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor". Andou, dirigiu-se ao passageiro da poltrona 21A e ameaçou-o.

Durante as duas horas de voo nada houve de forma a ameaçá-la, achincalhá-la ou mesmo citá-la nominalmente. Por duas ou três vezes entoou-se os já consagrados cânticos "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" e "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura"; cânticos estes que prescindem da sua presença ou de qualquer pessoa relacionada a empresa em que você trabalha, como se pode notar em todas as manifestações populares de vulto no país. Veja bem, estávamos a apenas seis fileiras de distância e eu só fui saber de sua presença na aeronave na segunda-feira seguinte, depois de ter escrito o relato publicado por várias fontes de informação da mídia alternativa.

De acordo com a companhia aérea o piloto requisitou a presença de um policial a bordo, "após a tripulação detectar um tumulto a bordo que poderia atentar à segurança operacional e à integridade dos passageiros". Compreenda-se: Para garantir a alegada integridade de uma "celebridade global". Ora, passa pela sua cabeça deturpada quantas pessoas públicas foram e são cotidianamente abordadas de forma negativa nos voos do nosso Brasil afora? Pode você imaginar quantos pobres, negros, nordestinos, foram ofendidos em voos e aeroportos por sua origem humilde? E quantas vezes você acredita terem chamado agentes da Polícia Federal? É sua posição de destaque na abjeta construção de um país cindido que a coloca como celebridade merecedora de tamanho desvelo.

E agora vem com esta nota recheada de inverdades fazer-se de vítima, buscando até mesmo um passado em que você teria sido presa, para assim fazer mais uma vez esse discurso do ódio e da violência? Permita-me dizer, quem cria esse discurso é a emissora a que você pertence, não só no noticiário distorcido como em sua teledramaturgia: Ensina-se não só a odiar o PT e os jovens pobres e negros que se manifestam nas ruas chamando-os de vândalos, mas também como envenenar o marido e sair ilesa, como jogar a sobrinha recém-nascida no lixo e outros horrores. Cotidianamente você adentra os lares brasileiros para destilar suas mentiras e seu ódio a governos populares que não lhe garantiram os privilégios que gozava no governo de seu amigo e benfeitor FHC. Cotidianamente você constrói o ódio dos brasileiros aos seus pares; porque os 60% mais pobres deste país não podem gostar e apreciar governos e partidos dos seus iguais. Você mente para que a população admire e vote somente na elite à qual você pertence. É você quem violenta não só a nossa inteligência, mas também o princípio do amor ao próximo, da igualdade entre os seres humanos. Não é surpresa que nesta nota de hoje você ridicularize os conhecimentos históricos de um passageiro, que certamente não teve da vida e do poder público as mesmas benesses que você.

Os petistas do nosso voo não são "profissionais do partido", são militantes e delegados. Você sim, na qualidade de profissional da oligarquia midiática brasileira, se aproveita do episódio para envolver e criminalizar nosso mais querido presidente. Deixem-no em paz e verão que ele, mais uma vez, fará história em favor das classes que vocês odeiam.

Lucia Capanema

passageira do voo Avianca 6342 de 03 de junho de 2017.