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Informe JB

Em 2013, Itagiba rebatia artigo de Fichtner

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O ex-secretário de Segurança do Rio Marcelo Itagiba enviou ao JB um artigo publicado em 2013 no qual responde ao então chefe da Casa Civil do governo, Régis Fichtner, sobre artigo intitulado O risco é o oportunismo político, no qual Fichtner comentava as manifestações que ocorriam no país:

"O maior risco que corremos neste momento de muita perplexidade é que a deturpação do recado das ruas viabilize o oportunismo político e a volta do câncer que muito prejudicou o nosso estado no passado recente, o populismo. Aí, efetivamente, estaremos em apuros", escrevia na ocasião Fichtner, que foi preso nesta quinta-feira, em investigação que apura corrupção no governo Cabral.

Reveja a resposta de Itagiba:

Itagiba responde ao Chefe da Casa Civil do Governo do Rio

O atual secretário-chefe da Casa Civil de Sergio Cabral procura em vão, por meio de artigo publicado em O Globo (29 de julho), justificar o repúdio popular ao desgoverno do qual faz parte, olhando no espelho retrovisor.

É bom não deslembrar que o seu chefe, quando na Presidência da Assembleia Legislativa, administração na qual ele também trabalhava, atuava em estreita sintonia e parceria com o Governo que o antecedeu. Posteriormente, com o apoio irrestrito do Governo anterior, ambos, ele e seu chefe, foram eleitos para o Senado.

Por fim, com o incondicional apoio do Governo anterior, o seu patrão foi eleito governador do Rio de Janeiro, não representando a oposição, mas sim a situação, inclusive aproveitando vários quadros na atual administração como secretários e como dirigentes de órgãos públicos. É importante dizer ao secretário que não é bom generalizar, pois isso pode levá-lo a cometer grandes equívocos, próprios de quem tem delírios de observação.

Como Policial Federal investiguei e prendi todos os tipos de criminosos, inclusive de colarinho branco, sendo certo que um deles, considerado chefe de um grande esquema  político chamado PROPINODUTO, tinha íntimas relações com o gabinete do então presidente da ALERJ, Sérgio Cabral, pois a esposa  do preso era apadrinhada  e ali trabalhava em cargo comissionado.

Enquanto estive na Secretaria de Segurança, os cargos de chefia sempre foram da responsabilidade do comandante da PM e do chefe da Policia Civil. Este último foi preso e processado em razão de investigação por mim determinada e posteriormente encaminhada à Polícia Federal. Como Secretário que fui, escolhido por ser técnico e ter atuado sempre tecnicamente, tive a oportunidade de rejeitar as tentativas de indicações políticas para o comando de batalhões e titularidades de delegacias provenientes do seu gabinete Senatorial.

As ruas estão clamando, não aceitam as práticas retratadas pelo atual Governo. Não querem mais parentes e contraparentes nomeados para cargos públicos, nem a interferência para a nomeação de parentes e contraparentes. Não desejam mais escritórios de advocacia vinculados a agentes públicos do Governo com poderes de decidir e influenciar resultados. Rejeitam a mistura da vida pública com a privada e da privada com a vida pública.

A população rejeita os acordos espúrios e oportunísticos, como o que elegeu o prefeito do Rio, fazendo com que, hoje, ele e o governador pareçam um casal de enamorados políticos, quando na verdade Paes, enquanto adversário na campanha para o Governo, dizia que um detetive de quinta categoria seria suficiente para prender Cabral.

A verdade é que a população do Rio, principalmente os jovens, acordou e não aceita mais as manipulações e factóides. Percebeu que a chamada Pacificação é na verdade um grande acordo, muito mais propaganda do que fato, pois só polícia não pacifica absolutamente nada, sendo ação típica dos Estados Fascistas. É fundamental atender a questão social como bem o disse o Papa Francisco.

Esta mesma população viu, também, que as milícias cresceram, em mil comunidades pesquisadas, de 1% nos Governos anteriores para 40% no atual, ou seja, antes atuavam em dez comunidades, e passaram a atuar em quatrocentas. Constatou que a maioria das estatísticas criminais positivas apresentadas por este Governo foram desmascaradas. Etc. Etc. Etc

Os jovens caíram na real. Viram os desmandos do atual governador, que anda em aviões e helicópteros de empresários que têm interesse de milhões em contratos com o Governo. Lembram do helicóptero que caiu e matou inocentes na Bahia? Os jovens indignaram-se com helicópteros públicos levando o cachorro Juquinha e outros para passear em Mangaratiba, nos finais de semana, às custas dos nossos impostos. Perguntam-se como um detentor de cargo político, com a remuneração própria do cargo, pode ter apartamento no Leblon na quadra da praia e casa luxuosa em Mangaratiba? Viram o vazadouro de dinheiro público no Maracanã e nas obras não realizadas na Serra após a calamidade.

Enquanto o Papa com a sua postura ética, honesta e humilde pode caminhar e abraçar e ser abraçado pelo povo, o governador, por posturas diametralmente opostas, assim entendidas pelo povo, não pode mais sair às ruas.

As mesmas ruas que estão gritando: “Queremos transparência e ética na política. Queremos serviços públicos de qualidade. Não aceitamos mais ser enganados e aviltados”.

Senhor secretário chefe da Casa Civil, ao invés de olhar para trás, procure olhar no espelho e veja a feiúra do Governo ao qual o senhor está ligado e defende, pois o povo já enxergou e rejeita decretos que violam as liberdades individuais e os direitos fundamentais. Para a população do Rio, em sua grande maioria, o Rei e os seus Asseclas estão nus e usam guardanapo na cabeça.