Crise de alimentos no Haiti leva a fuga pelo mar
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HAITI - A fome e o custo de vida podem criar uma nova onda de refugiados marítimos no Haiti, alertam autoridades e analistas do país, onde duas semanas de protestos diários levaram recentemente à queda do primeiro-ministro.
Na pequena Montrouis, 80 quilômetros ao norte de Porto Príncipe, haitianos em desespero prometem aproveitar a primeira oportunidade de embarcar num navio que os leve aos Estados Unidos e os tire da miséria no país mais pobre do Ocidente.
-Vou partir no próximo barco para Miami, porque não consigo mais resistir a esta fome - disse à Reuters na terça-feira Marcel Jonassaint, 34 anos, que se distraía sentado perto do porto, descalço, atirando pedrinhas no mar.
-Tenho quatro filhos, não tenho emprego, é tudo caro, mesmo para os que estão trabalhando - disse Jonassaint. 'Então o que você quer que eu faça?'
Montrouis é uma localidade conhecida como ponto de partida para os barcos com migrantes. 'Eu já tinha ido embora neste ano. Nosso barco foi interceptado em alto-mar, mas vou tentar de novo', afirmou a sorridente Rachel Chavanne, 29 anos. 'Conheço algumas pessoas, como um primo meu, que tiveram sucesso na viagem. Um dia minha vez também vai chegar.'
Há poucos dias, o Parlamento destituiu o primeiro-ministro Jacques Eduard Alexis, na esperança de que isso aplacasse os protestos e saques provocados pelo aumento dos preços dos alimentos. Pelo menos seis pessoas morreram nesses incidentes.
Jeanne Bernard Pierre, diretora de assuntos migratórios do governo, disse que desde o início da crise alimentar sua agência recebeu em uma só semana mais haitianos repatriados em barcos do que habitualmente recebe em um mês ou mais.
'Recebemos 213 repatriados na semana passada, acabamos de receber 227 e estamos recebendo 114 amanhã', disse Pierre na terça-feira à Reuters.'Está claro que mais 'boat people' ñrefugiados navaisí estão deixando o país, e deveria se esperar ainda mais caso não consigam encontrar uma alternativa', disse Pierre, que pediu ao governo e à comunidade internacional que criem programas para ajudar os haitianos mais miseráveis.
