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Trump anuncia reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez na tarde desta quarta-feira (6) um anúncio histórico reconhecendo Jerusalém como capital de Israel.   Além disso, determinou a transferência da embaixada norte-americana no país de Tel Aviv, onde estão todas as outras representações diplomáticas estrangeiras, para a milenar cidade que está no centro das três maiores religiões monoteístas do mundo.

Trump destacou que sua medida, que provocou reações furiosas nos palestinos e nos mundos árabes e críticas da União Europeia, tem como objetivo promover a "paz".

"Isso não é nada mais nem menos do que o reconhecimento da realidade e a coisa certa a ser feita. É algo que tem de ser feito", declarou o presidente dos Estados Unidos. "Quando cheguei à Presidência, prometi olhar o mundo com olhos abertos e pensamentos novos. Antigos desafios precisam de uma nova abordagem. Meu anúncio marca o início de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos", acrescentou Trump.

Trump ainda afirmou que a embaixada em Jerusalém, quando estiver pronta, será "um tributo magnífico à paz" e que seu governo está comprometido com um "grande acordo entre israelenses e palestinos" e com a "solução dos dois Estados", desde que ela satisfaça ambos os lados. "Jerusalém não é apenas o coração de três grandes religiões, mas também o coração de uma das mais bem sucedidas democracias do mundo", reforçou. 

Trump determinou transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para a milenar cidade
Trump determinou transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para a milenar cidade

"A decisão de Trump é histórica, um ato justo e corajoso", comentou o premier Benjamin Netanyahu. A medida de Trump, contudo, tem sido duramente criticada por países árabes, já que, na prática, mostra que os Estados Unidos reconhecem que Jerusalém pertence a Israel.

O papa Francisco, mais cedo, fez um duro apelo contra a medida, alegando que esta pode provocar "novos elementos de tensões". "O meu pensamento vai, agora, para Jerusalém. Não posso deixar de expressar minha profunda preocupação pela situação que foi criada nos últimos dias e, ao mesmo tempo, fazer um sincero apelo para que todos se empenhem em respeitar o 'status quo' da cidade, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas."

A cidade de Jerusalém é considerada sagrada para várias religiões. Com uma população de 857 mil pessoas, é composta por 64% de judeus, 32% de muçulmanos e 2% de cristãos. Embora o Parlamento israelense e prédios do governo estejam em Jerusalém, nenhuma embaixada estrangeira fica na cidade, já que a capital reconhecida internacionalmente de Israel é Tel Aviv. 

A maioria dos países mantém uma posição neutra em relação a Jerusalém e apoiam o status de "corpus separatum", sugerido desde 1947 pelas Nações Unidas e o qual prevê que a cidade seja um "regime internacional" devido à sua importância para várias religiões. Apesar disso, Israel já aprovou, nos anos 1980, uma lei que estabelecia que Jerusalém era sua capital. A norma, no entanto, foi rejeitada pela ONU. 

O lado oeste de Jerusalém pertence a Israel desde que o país foi criado, em 1948. Mas a parte leste, onde a população é predominantemente árabe, foi ocupada por tropas israelenses durante a guerra de 1967. E os palestinos querem fundar lá a futura capital do país que pretendem criar.

O enviado especial da ONU para o Médio Oriente, Nickolay Mladenov, disse que o futuro estatuto de Jerusalém deve ser negociado. "O futuro de Jerusalém é um assunto que deve ser negociado entre israelenses e palestinos em negociações diretas", sugeriu.

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