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Jazzmeia Horn, a nova estrela do jazz

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

A nova jazz diva na praça chama-se Jazzmeia Horn, e tem apenas 25 anos. O nome não foi adotado para fins comerciais, mas lhe foi dado quando nasceu, em Dallas, Texas, pela avó paterna, casada com um pastor, e que tocava música gospel ao piano. Em 2009, ainda teenager, ela foi para Nova York a fim de cursar a New School for Jazz and Contemporary Music. Em 2013, ganhou a Sarah Vaughan International Jazz Vocal Competition. Em 2015, venceu a Thelonious Monk Institute International Jazz Competition, cantando à frente de um júri formado por Dee Dee Bridgewater, Freddy Cole, Al Jarreau e Luciana Souza.

Pois o álbum de estreia dessa incrível vocalista - descendente estilística de Betty Carter (1930-1998) e Sarah Vaughan (1924-1990), na arte doscat singing – vem de ser lançado pelo selo Prestige/Concord Jazz, sob o título de A Social Call. São ao todo 10 faixas, nas quais Jazzmeia Horn lidera um conjunto instrumental de elite formado por Victor Gould (piano), Stacy Dillard (sax), Ben Williams (baixo), Josh Evans (trompete) e Jeromy Jennings (bateria), com participação especial do trombonista Frank Lacy.

A influência de Betty Carter na arte de Jazzmeia é patente na “instrumentalização” vocal boppish dos solos improvisados e nas trocas de compassos com os instrumentistas propriamente ditos. Carter foi uma contralto originalíssima, dona de um vozeirão às vezes roufenho, enquanto a nova estrela que tem jazz até no nome pode ser classificada como mezzo soprano, embora seu range vocal atinja notas altíssimas.

'A Social Call' é o álbum de estreia da premiada vocalista
'A Social Call' é o álbum de estreia da premiada vocalista

A primeira faixa do disco inaugural de Jazzmeia Horn é um tema de Betty Carter, Tight (3m), com solo vigoroso de Stacey Dillard, seguido de uma troca de compassos imperdível entre o saxofonista tenor e a vocalista em scat. O título do CD vem de Social call, inesquecível composição do saxofonista alto Gigi Gryce (1925-1983), que recebe um tratamento curto (2m25), a vocalista abrindo sua versão com a letra escrita para o tema por Jon Hendricks, e muito bem servida pela seção rítmica.

O poema-hino Lift every voice and sing e Moanin', famoso tema bluesy do pianista Bobby Timmons, são casados numa faixa de seis minutos, e atestam as fontes primordiais da nova estrela a brilhar no céu do jazz.

reviwer Ron Weinstock (In a Blue Mood) destaca como highlight do álbum o medley de Afro blues/Eye see you/Wade in the water (13m), nos seguintes termos: “Começa com um tour de force imaginativo recriando o clássico de Mongo Santamaria, inicialmente tocado em dueto com Jennings (bateria), e tem um pouco de vocalização operática (de Jazzmeia) nos mais altos cumes do seu amplo registro. Segue-se um comentário social falado, como um rap, logo transformado num spiritual.

Outros temas escolhidos por Jazzmeia Horn para o seu álbum de estreia são East of the sun (6m05), que Sarah Vaughan gravou pela primeira vez em 1950, com Miles Davis; a balada The peacocks (8m), do saudoso pianista Jimmy Rowles (1918-1996); People make the world go round (6m55) e I'm going down (5m15), versões jazzísticas de dois hits do gênero rhythm & blues.

(A faixa Lift every voice and sing/Moanin' pode ser ouvida em: jazztimes.com/departments/songpreviews/jt-track-premiere-jazzmeia-horns-lift-every-voice-and-singmoanin/)