Jornal do Brasil

Jazz

MONK'estra celebra centenário do lendário jazzman

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

O centenário do lendário Thelonious Monk (10/10/1917-17/2/1982) – o mais excêntrico dos founding fathers do bebop – está sendo celebrado no planeta jazz de vários modos. Em matéria de tributo fonográfico, merece destaque o segundo álbum da MONK'estra – uma orquestra de 16 membros liderada pelo pianista-compositor-arranjador John Beasley. O primeiro volume dessa big band formada para revisitar o “livro” de Monk - de maneira às vezes kentoniana, às vezes até meio pop – foi um dos cinco discos indicados para o Grammy 2016/17 na categoria “best large jazz ensemble album”.

Conforme a nota de apresentação da etiqueta Mack Avenue de MONK'estra Vol. 2, John Beasley usa “as experiências e os movimentos espontâneos monkianos como ponto de partida para conduzir sua criticamente aclamada big band em versões radicalmente recriadas da música do saudoso compositor”.

'Big band' de John Beasley reinventa peças de Thelonious Monk em novo álbum de 10 faixas 
'Big band' de John Beasley reinventa peças de Thelonious Monk em novo álbum de 10 faixas 

setlist tem nada menos do que 10 peças extraídas do extraordinário acervo do “Highest Priest of Jazz”. São elas as seguintes (com as respectivas durações das faixas): Brake's sake (7m05); Played twice (3m55); Crepuscule with Nellie (4m30); Evidence (7m20); Ugly Beauty /Pannonica (5m20); I mean you (6m20); Light blue (5m25); Ruby my dear (6m10); Criss cross (6m20); Work (5m55).

Os arranjos mantêm o sumo inebriante das melodias oblíquas da temática monkiana e preservam a beleza encantatória de suas baladas (CrepusculeRuby). Mas Beasley lhes consegue dar tratamento ousado em termos de impacto sonoro. E tira da cartola algumas surpresas, tais como o beat hip-hop imposto a Brake's sake – com inusitado vocal do rapper Dontae Winslow. E as intervenções, como ilustres convidadas, da violinista Regina Carter em Crepuscule, e da vocalista Diana Reeves em Ruby.

Evidence, a faixa mais longa do álbum, dividida em duas partes, é apresentada pausadamente, mas o tempo é aos poucos acelerado para sustentar solos marcantes, pela ordem, do badalado saxofonista tenor Kamasi Washington e do trombonista Conrad Hewig. Os metais assurdinados e um balanço “latino” dão o clima da combinação Ugly beauty/Pannonica, com destaque para o trombonista Francisco Torres. Na versão exótica de Light blue, o líder Beasley tira do sintetizador o som do órgão, e adensa a atmosfera impressionista que dáao tema que Monk gravou pela primeira vez, ao vivo, no Five Spot Café, em 1958. Criss cross é outra peça a receber tratamento rítmico afro-cubano, com realce para o percussionista Pedrito Martinez (conga e bata). O sax soprano de Bob Sheppard brilha em Played twice.

(Samples de MONK'estra Vol.2 podem ser ouvidos em:

www.amazon.co.uk/MONKestra-Vol-2-John-Beasley/dp/B073JV433V)