Jornal do Brasil

Jazz

O prodigioso Joey Alexander toca Monk ao vivo

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

Quando não tinha ainda comemorado o seu 12º aniversário, no início de 2015, o pianista Joey Alexander foi festejado como um incrível menino-prodígio, com o lançamento, pela Motéma, do CD My Favorite Things– um dos finalistas do Grammy daquele ano nas categorias jazzísticas “melhor álbum” e “melhor solo improvisado”. No ano seguinte, o seu segundo registro para a mesma etiqueta, Countdown, foi também nomeado para o Grammy.

Agora, aos 14 anos, ele não é mais admirado apenas – o que já seria muito – por se tratar de um garoto-prodígio. Joey Alexander, nascido Josiah Alexander Sila, em Bali, Indonésia, é um pianista prodigioso. Pouco depois de chegar com a família aos Estados Unidos, em 2014, obteve o visto “0-1” (para estrangeiros de “extraordinária habilidade”), e radicou-se em Nova York.

Concerto do pianista de 14 anos, no Lincoln Center, em junho último, foi gravado pela Motéma
Concerto do pianista de 14 anos, no Lincoln Center, em junho último, foi gravado pela Motéma

Em junho último, no quadro de celebrações do centenário de Thelonious Monk (1917-1982), Alexander foi a estrela de um concerto no Appel Room do Jazz at the Lincoln Center, lá no Columbus Circle, em Nova York. E a Motéma gravou, ao vivo, o show do virtuose, que já está disponível nas plataformas e lojas virtuais, sob o título Monk.Joey.Live!.

No menu, sete das mais conhecidas e significativas composições de Thelonious Sphere Monk, o “High Priest of Bop”, que são interpretadas – e até “recompostas” - sem nenhuma intimidação, seja em solo (Round midnight e Pannonica), seja em trio (as outras cinco) com os renomados Scott Colley (baixo) e Willie Jones III (bateria).

Dan Bilawski observou com muita propriedade na review do álbum para o site All About Jazz: “Alexander disseca e recria clássicos de Monk, honrando uma de nossas mais icônicas figuras, mas sem deixar o legado eclipsar o tempo presente. Basta ouvir os primeiros dois minutos da faixa de abertura, Round midnight (5m45), (…) para que se entenda que se trata de Monk, mas nos termos de Alexander”.

Realmente, o tratamento da mais famosa balada de Monk, em termos melódico-harmônicos, a partir de uma inusitada introdução politonal, é mais do que surpreendente. É uma “recomposição” ousada de um músico que ainda não fez 15 anos, mas que tem técnica e cultura musicais raras, como exibe, logo em seguida, em Evidence (8m25).

As outras faixas de Monk.Joey.Live são: Ugly beauty (7m10), com realce também para o baixo de Scott Colley, em contraponto com o teen ager líder; uma versão bem animada de Rhythm-a-ning (6m25), aberta com solo do baterista William Jones III; uma notável metamorfose da complexa Epistrophy (8m); Straight no chaser (10m50), recomposta de cabo a rabo, com referências ao stride piano do Harlem da década de 1930 em meio ao clima pantonal monkiano.

O novo registro de Joey Alexander é um dos melhores álbuns de jazz lançados no ano corrente.

(Ouça e veja a versão de Evidence em:

www.youtube.com/watch?v=q_LFXNJzNwY)