Jornal do Brasil

Jazz

Pat Martino: 'Formidable'

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

O guitarrista Pat Martino está de volta às lojas virtuais e streamings com um álbum do selo HighNote muito bem qualificado no próprio título: Formidable. Trata-se do seu primeiro registro de estúdio como líder desde 2005, quando a Blue Note lançou Remember/A Tribute to Wes Montgomery, uma sessão da qual participaram os também notáveis David Kikoski (piano) e John Patitucci (baixo).

Vale lembrar que Martino, nascido Pat Azzara há 73 anos, na Filadélfia, é o principal herdeiro de Wes Montgomery na maistream moderna, em matéria de som redondo e de habilidade de improvisar longas e irresistíveis linhas melódicas com incrível articulação, em qualquer tempo. Aos 15 anos de idade, ele já era músico profissional – como o seu pai – atuando em bandas de rhythm and blues. Quando foi para Nova York, ainda bem moço, passou a integrar os organ trios de Don Patterson, Jack McDuff, Charles Earland, Richard “Groove” Holmes e de outras estrelas do soul jazz da década de 1960.

Novo álbum é o primeiro do eminente guitarrista como líder em 11 anos
Novo álbum é o primeiro do eminente guitarrista como líder em 11 anos

No fim da década seguinte - quando já tinha uma dúzia de gravações como líder na discografia – Pat Martino começou a sofrer de um grave problema de circulação do sangue no cérebro, que culminou com aneurismas que nele provocaram, apesar de algumas cirurgias, amnésia total. Um longo tratamento - que consumiu anos de terapia, reabilitação e reaprendizagem da própria técnica da guitarra, além de audição dos seus próprios discos – restituiu-lhe a saúde e a sua arte. Ele gravou então, em 1987, o álbum The Return (Muse).

Embora muito ativo em clubes e festivais, nos Estados Unidos e mundo afora, o guitarrista estava devendo um registro fonográfico mais atual à altura de sua arte. E aí está o CD Formidable, uma seleção de nove peças, nas quais o líder comanda o seu trio integrado por Pat Bianchi (órgão) e Carmen Intorre (bateria), que vira quinteto em seis dessas faixas, com a adição de Adam Niewood (sax tenor) e Alex Norris (trompete).

O trio guitarra-órgão Hammond-bateria interpreta as três faixas do programa que não são originais de Martino, mas composições bem conhecidas e admiradas do repertório jazzístico: Duke Ellington sound of love(7m55), de Charles Mingus; In your own sweet way (8m15), de Dave Brubeck; In a sentimental mood (9m35), de Duke Ellington.

O trompetista Norris e o saxofonista Niewood dão brilho especial aos arranjos e solos do guitarrista-líder e de Bianchi no Hammond B3, principalmente nas efervescentes El Niño (7m05), Hipsippy blues (6m55) e On the stairs (6m25). Nesta última faixa, o B3 de Bianchi “ressuscita” o lendário Jimmy Smith.

(Samples de Formidable podem ser ouvidos em: itunes.apple.com/us/album/formidable/id1287568197)

TOMÁS IMPROTA

O respeitado pianista carioca Tomás Improta vem de lançar o álbum Olha Pro Céu (Sonora) – o seu décimo CD autoral, em mais de 45 anos de carreira. De formação clássica, filho do também pianista, musicólogo e crítico de música erudita Eurico Nogueira França (1913-1992), Improta dedicou-se à música instrumental brasileira, com ou sem tempero jazzístico. Desta vez resolveu gravar, sem nenhuma pressa (entre outubro de 2015 e abril de 2016), uma seleção de sete peças, das quais cinco a sós com o piano, uma na companhia do baixo acústico de Tony Botelho, e outra do violão de seu filho Gabriel.

Num clima mais intimista do que extrovertido, Tomás Improta começa o programa com a faixa-título, de Tom Jobim; depois revisita Pra dizer adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto; interpreta com devoção a valsinhaPoema singelo, composta por Villa-Lobos em 1942; recria Risque, de Ary Barroso, de forma muito original, com uma figura rítmica em ostinato a sustentar as variações melódicas; e fecha o álbum com a impressionística Karen B, de sua autoria, a peça mais longa do disco.

As faixas em duo são Silvestre: Nascente do Rio Carioca, da lavra do pianista, com o baixo de Botelho, e I Concentrate on you, o standard de Cole Porter, com o violão de Gabriel.

(Samples de Olha pro Céu em: www.amazon.com/Tomas-Improta/e/B000AQ2Y0S)