Jornal do Brasil

Jazz

Jon Hendricks (1921-2017)

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

O lendário vocalista Jon Hendricks – mestre das artes do vocalese e do scat singing – morreu no último dia 22 de novembro, aos 96 anos, num hospital de Manhattan. Os jazzófilos mais antigos começaram a ouvi-lo e a cultuá-lo a partir das edições e reedições em LP e CD de três sessões históricas do trio que formou com os também vocalistas Dave Lambert e Annie Ross, há mais de meio século: Sing a Song of Basie (GRP/Impulse, 1957), Lambert, Hendricks & Ross SingEllington (Columbia, 1960) e The Hottest New Group in Jazz (Columbia, 1962).

Hendricks enriqueceu alguns álbuns muito especiais na condição de convidado de honra. Citem-se: Underground (Columbia, 1968), com o quarteto de Thelonious Monk; Vocalese (Atlantic, 1985), com o excepcional quarteto vocal The Manhattan Transfer (Janis Siegel, Cheryl Bentine, Alan Paul e Tim Hauser); Family (Anzic, 2011), ao lado do sexteto 3 Cohens, liderado pelos irmãos Cohen (Anat, clarinete; Avishai, trompete; Yuval, sax soprano).

Mestre do 'vocalese' e do 'scat'  ganhou fama na década de 1960 com o trio Lambert, Hendricks & Ross
Mestre do 'vocalese' e do 'scat'  ganhou fama na década de 1960 com o trio Lambert, Hendricks & Ross

Lembro-me muito bem do show de Jon Hendricks, em setembro de 2010, exatamente no dia do seu 89º aniversário, no também saudoso Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto. Escrevi então que “o maior vocalista de jazz vivo foi uma descoberta tardia para a maioria do público, que não sabia ter Hendricks uma cabeça de músico, que pensa suas (ainda) irresistíveis improvisações como se saxofonista fosse, dedilhando no ar o instrumento imaginário, como se o tivesse soprando”.

Naquela noite, mestre Jon reviveu a arte de instrumentalização do vocal no jazz (o vocalese e o scat) tal como criada, há meio século, pelo trio Lambert, Hendricks & Ross, com ele no papel dele mesmo, sua filha Aria no de Annie Ross, e Kevin Burke no de Lambert. Foi um raro acontecimento, com o trio vocal apoiado por seção rítmica (Tardo Hammer ao piano e Paul Meyers no violão elétrico) fazendo uma panorâmica das grandes figuras do jazz: Armstrong (Stardust), Ellington (In a mellow tone), Count Basie (Jumpin at the Woodside), Charlie Parker (Now’s the time), Thelonious Monk (Rhythm-a-ning) e Horace Silver (Doodlin, Come on home).

Jon Hendricks foi proclamado “Jazz Master”, em 1993, pela National Endowment for the Arts (NEA) – a respeitada agência cultural do Governo dos Estados Unidos.

(Vídeo de Jon Hendricks com o Manhattan Transfer, interpretando Airegin, tema de Sonny Rollins, no Vitoria-Gasteiz Jazz Festival, julho de 1991: www.youtube.com/watch?v=jkRXl52gHRQ).

INDICAÇÕES PARA O GRAMMY

Nesta última terça-feira (28/11) foram divulgados os cinco finalistas (nominees), por categoria, para o 60º Grammy, o “Oscar” da indústria fonográfica. Os vencedores serão anunciados no dia 28 de janeiro próximo, no Madison Square Garden (NY).

Na área do jazz, os cinco concorrentes ao “gramofone de ouro” de melhor álbum instrumental do ano (lançamentos entre 1º/10/2016 e 30/9/2017) são: Uptown, Downtown (Impulse), do trio do pianista Bill Charlap; Rebirth (Mack Avenue), quarteto do pianista Billy Childs, com o saxofonista Steve Wilson; Project Freedom (Mack Aveue), do quarteto do organista (Hammond-B3) Joey DeFrancesco; Open Book (Palmetto), recital solo do magistral pianista Fred Hersch; The Dreamer Is the Dream (ECM), do saxofonista Chris Potter, em quarteto integrado pelo pianista David Virelles.

Destes cinco CDs, foram selecionados e comentados nesta coluna, durante este ano, os de Bill Charlap (16/9), Joey DeFrancesco (25/3) e Fred Hersch (26/8)..