Jazz

O jazz com Latin beat de Eric Alexander

Saxofonista lança Song of No Regrets, seu 12º album para o selo HighNote

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil

O saxofonista tenor Eric Alexander começou a se destacar na cena jazzística em 1991, quando foi o segundo colocado na referencial Thelonious Monk Institute International Competion, logo atrás de Joshua Redman, perante um júri integrado pelos “imortais” Benny Carter, Jimmy Heath, Jackie McLean, Frank Wess e Branford Marsalis. Naquela competição, o agora também consagrado Chris Potter foi o terceiro mais votado.

Redman, Alexander e Potter - hoje próximos do 50º aniversário - frequentam com assiduidade as listas dos 10 melhores nos seus instrumentos, periodicamente publicadas nas revistas e sites especializados. Nesses polls – como ocorreu no mais recente referendo dos críticos da revista Downbeat – eles só foram superados pelos imbatíveis Charles Lloyd, Joe Lovano, Wayne Shorter e Branford Marsalis (Sonny Rollins, o “Saxophone Colossus”, 87 anos, está afastado dos estúdios e clubes já há algum tempo, por problemas respiratórios).

Eric Alexander começou a se destacar na cena jazzística em 1991
Eric Alexander começou a se destacar na cena jazzística em 1991

Isto posto, registre-se o lançamento do álbum Song of No Regrets, o 12º de Eric Alexander como líder para a etiqueta HighNote, numa série iniciada em 1999 com o CD Alexander the Great.

Nesta nova sessão, o saxofonista comanda um quarteto básico, integrado pelos fieis Joe Farnsworth (bateria) e John Webber (baixo), e por Dave Hazeltine no lugar geralmente ocupado pelo excelente pianista Harold Mabern. Mas o clima rítmico predominante na sessão exigiu a presença no estúdio do percussionista Alex Diaz. Além disso, Alexander convidou para atuar, nos dois primeiros números da setlist, o meio esquecido John Faddis, 64 anos, virtuose do trompete que surgiu no planeta jazz, na década de 1970, como o “sucessor” de Dizzy Gillespie.

A faixa de abertura, But here's the thing (6m10), tema do pianista Hazeltine, com intensa percussão afro-cubana, contém vibrantes solos do líder e de Faddis. Na segunda, uma versão romântica de These three words (5m55), de Stevie Wonder, o trompetista emprega a surdina.

Um dos momentos mais atraentes do novo álbum de Alexander é a interpretação bem “gingada” de Mas que nada (6m45), de Jorge Ben, com brilhante intervenção de Hazeltine. Um outro brasileiro (há muito americanizado), Sérgio Mendes, é o autor da faixa-título, a balada Song of no regrets (5m30), dos tempos daquele conjunto Brasil '66.

O líder assina duas composições: Grinder (5m50), em tempo médio, e a meditativa Corazón (2m55). Em Cede's shack (7m20), tema bem bluesy do baterista Farnsworth, a atuação do saxofonista é particularmente notável. Como escreveu Matt Collar, na resenha do álbum para o site AllMusic, “abençoado com um tom redondo e uma técnica impressionante, Alexander continua a desenvolver aquela tradição swinging do jazz acústico, com um som derivado de ícones como Dexter Gordon, John Coltrane e Sonny Rollins”.

(Samples de Mas que nada e de outras três faixas de Song of No Regrets podem ser ouvidos em: http://www.jazzdepot.com/e_alexander/7311.html).