Jazz

Sai o primeiro álbum do novo The Bad Plus

Luiz Orlando Carneiro, Jornal do Brasil
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Formado em 2000, o destemido e percussivo trio The Bad Plus ficou famoso no cultivo de um vanguardismo com acentuação poppy, elevando o “volume” do típico trio de jazz acústico. O pianista Ethan Iverson, o baterista Dave King e o baxista (acústico) Reid Anderson gravaram uma série de 12 álbuns, a partir de These Are the Vistas (Columbia, 2003), passando por uma “releitura” da Sagração da Primavera de Stravinsky (The Rite of Spring, Okeh, 2014), e chegando a Plus Joshua Redman (Nonesuch, 2015) e It's Hard (Okeh, 2016).

Eis porém que, na passagem deste ano novo, tocando no sagrado Village Vanguard de Nova York, Ethan Iverson despediu-se formalmente dos seus parceiros, com os quais participava, em média, de 100 apresentações por ano. Ele já tinha anunciado, em abril último, que iniciaria, em 2018, uma nova etapa da sua vitoriosa carreira de pianista, compositor e professor de jazz piano no New England Conservatory. 

Pianista Orrin Evans já está no lugar de Ethan Iverson em 'Never Stop II '

Giovanni Russonello, o crítico de jazz do New York Times, ao comentar o último show do Bad Plus com a formação que manteve durante duas décadas, assinalou: “Durante algum tempo, o Bad Plus foi a mais importante e inimitável atração em matéria de música improvisada, inicialmente impelido pela interpretação rollicking de Smells like teen spirit, do Nirvana, e pela extravagante provocação de These Are the Vistas, a sua estreia num selo importante. Não se tem notícia de outro conjunto com identidade coletiva tão forte que tenha durado tanto. Talvez apenas o Modern Jazz Quartet que – assim também como o Art Ensemble of Chicago, em outro território – manteve os seus devotos, refletindo um momento cultural”.

Mas o trio The Bad Plus não acabou não. O excelente pianista (e compositor) Orrin Evans, 42 anos, assumiu a banqueta de Iverson, e o conjunto já tem agenda cheia a partir deste mês, nos Estados Unidos, e a seguir na Europa, durante todo o mês de abril. E o “novo” Bad Plus lançou nesta última sexta-feira (19/1), nas principais lojas virtuais, o álbum Never Stop II, que foi gravado pelo trio Evans-King-Anderson para o selo Legbraker, em setembro último. Ou seja, antes da saída “oficial” de Ethan Iverson.

O título do primeiro registro do novo TBP refere-se, é claro, ao CD Never Stop (eOne Musc, 2010), que só continha composições originais de seus integrantes. E o mesmo ocorre neste Never Stop II, que tem oito faixas, das quais quatro assinadas pelo baixista Anderson, duas pelo pianista Evans e duas pelo baterista King.

Tem razão o conceituado Nate Chinen que, na review de Never Stop II para o site da National Public Radio (NPR), escreveu: “Em primeiro lugar e acima de tudo, este é ainda o Bad Plus. Isso fica claro logo na primeira peça, Hurricane birds(5m30), um tema cinemático meio sombrio de Anderson. Nenhum outro grupo no mundo soa do mesmo modo. Suspeito que quem tenha seguido o Bad Plus por todos estes anos será capaz de identificá-lo logo ao ouvir o primeiro compasso do tema”. 

O mesmo pode ser dito das faixas 1983 Regional All-Stars (6m45), de Dave King, e Boffadem (5m15), do pianista Orrin Evans, que já podem ser ouvidas, na íntegra, na plataforma SoundCloud (www.thebadplus.com/album). 

Vale registrar ainda que o substituto de Ethan Iverson no TBP, que foi aluno do mestre Kenny Barron, integra o primeiro time dos pianistas em atividade em Nova York. Seus discos mais recentes como líder foram gravados pelo selo Smoke Sessions: Liberation Blues (2014), com o saxofonista JD Allen, Bill Stewart (bateria) e Luques Curtis (baixo); The Evolution of Oneself (2015), em trio com Christian McBride (baixo) e Karriem Riggins (bateria).