Juca Kfouri

Decepcionante e injusto

Jornal do Brasil
Juca Kfouri

KAZAN - A seleção brasileira jogava bem, muito bem, e Thiago Silva acertou o travessão da Bélgica ainda antes do décimo minuto de jogo.

A seleção brasileira continuava a jogar bem, muito bem, e o pé de Paulinho não alcançou a bola para balançar a rede, três minutos depois de ela ter ido ao travessão.

Então, porque o futebol é feito disso, de detalhes, de acasos, de imprevistos e improvisos, o excelente De Bruyne bateu escanteio no primeiro poste, o zagueiro Kompany, do alto de seu 1,90m, raspou na bola, que encontrou o braço de Fernandinho para tirar o goleiro Alisson da jogada e decretar o primeiro gol belga. O que fazer? O que a seleção brasileira continuou a fazer.

Continuou a jogar bem, já não tão bem, mas bem, a ponto de Philippe Coutinho e Marcelo fazerem Courtois trabalhar, enquanto Alisson via o jogo.

Como viu, no 30° minuto, Lukaku armar o contra-ataque e De Bruyne concluí-lo com raro brilho, num golaço para ampliar. Lembram a rara leitora e o raro leitor que temeu-se aqui que ele resolvesse mostrar suas armas justamente contra o Brasil.

Pois mostrou e, ao lado de Hazard, teve momentos de puro encantamento na Arena Kazan, com 42.873 torcedores, a maioria esmagadoramente brasileira.

Antes que o primeiro tempo terminasse, Courtois ainda evitou um gol contra numa defesa de alto grau de dificuldade e fez mais uma em chute de Philippe Coutinho.

A primeira defesa de Alisson aconteceu só no 41° minuto, em falta cobrada, e muito bem, por ele, De Bruyne.

Quem viu o segundo tempo com um mínimo de serenidade há de convir que outra vez a entrada de Douglas Costa mudou o jogo e a seleção fez por onde, ao menos, empatar o jogo, tantas foram as chances criadas, tantas as defesas de Courtois que, é claro, está lá para isso. Depois de fazer o gol quando ainda faltavam 15 minutos para o jogo acabar, Renato Augusto jogou o empate fora e viu Philippe Coutinho fazer o mesmo em seguida.

O time, então, passou a demonstrar ansiedade, mas nunca se desesperou e mereceu sorte melhor.

Pena que Neymar não esteve em noite feliz para desequilibrar a partida. 

O hexacampeonato ficou para depois, quem sabe para catar daqui a quatro anos. Mais importante será dar jeito no futebol no Brasil. Porque o do Brasil não fez feio na Rússia, ao contrário, disputou com a Bélgica o melhor jogo da Copa do Mundo.