Nelson de Sá

Bancos associam até pênalti com meta de inflação

Jornal do Brasil
Nelson de Sá

São Paulo - Usando “200.000 modelos estatísticos”, recorrendo a “desenvolvimentos recentes” em inteligência artificial para “extrair dados de características das equipes e dos jogadores”, o banco de investimentos Goldman Sachs soltou relatório de 48 páginas com as suas previsões para a Copa da Rússia.

“Todo esse trabalho para concluir que o Brasil vai vencer e – choque de horror!– a Inglaterra vai perder nas quartas para a Alemanha?”, ironizou o inglês “Financial Times”.

O que o jornal chama de “temporada de bobagens” dos mercados financeiros, pré-Copa do Mundo, começou há três semanas com o banco suíço UBS antecipando vitória alemã. E se espalhou às vésperas da abertura.

O japonês Nomura arrisca uma final entre França e Espanha, com Brasil em terceiro, mas para tanto prevê que a Polônia vence a Alemanha nas quartas. Só que quem calculou a vitória polonesa foi seu analista polonês Marcin Kujawski, supostamente “usando a teoria do portfólio e a hipótese do mercado eficiente”.

O holandês ING crava Espanha, com base, em parte, no valor das transferências dos jogadores. O alemão Commerzbank aposta na Alemanha.

Para além do eventual vencedor, as bobagens incluem a Faculdade de Economia de Toulouse estudando as fotos de 4 mil jogadores dos álbuns da Panini, desde 1970, e concluindo que as equipes com aparência “mais raivosa ou mais feliz” têm mais chance do que as “inexpressivas”.

Incluem também o Goldman Sachs, mostrando, com gráfico e tudo, que “os países que cumprem as suas metas de inflação tendem a ser muito bons ao bater pênaltis”.

Em tempo, o “New York Times” avisa: “O Goldman também previu vitória brasileira nas últimas três Copas, errando todas (Infelizmente, o polvo Paul não está mais vivo)”.

“Esqueçam Trump”.  Com os EUA fora da Copa da Rússia, jornais como NYT e “Wall Street Journal” se concentram na disputa pela sede da Copa de 2026, a ser votada hoje. O primeiro destacou, até com notificação de celular, que Trump “abrandou sua conversa dura sobre imigração para incentivar a candidatura americana”, ao lado de Canadá e México. E o WSJ chamou a atenção para uma frase do presidente da federação americana, apelando aos votantes de todo o mundo, sobre as ofensas racistas de Trump: “Esqueçam o governo. É de povo para povo”.

“Marrocos acredita”. O NYT, que mal esconde a torcida pelos EUA em 2026, montou placar online, renovado em tempo real, sempre com a candidatura à frente. Já o francês “Le Monde” destaca o concorrente, com o título mostrando “Por que o Marrocos ainda acredita”. França e outros europeus, além de estrelas como Messi e Cristiano Ronaldo, já anunciaram apoio ao país africano. O jornal avisa, porém, que a Arábia Saudita, a pedido de Trump, vem trabalhando contra o Marrocos.