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Opinião

Padre Jorjão, uma homenagem

Neste dia 8, ordenação sacerdotal celebra seu “Jubileu de Prata”

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Padre Jorge Luiz Neves Pereira da Silva, o querido Padre Jorjão, completa 25 anos de sacerdote que, com o tempo de seminário, somam quase 40 anos ao lado de Deus.

O Jornal do Brasil, com sua tradição religiosa em que sempre esteve e sempre estará ao lado da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, presta uma homenagem a esse querido Padre que não gosta de homenagens, e sabe-se por quê: Padre Jorjão é uma pura homenagem de felicidade a todos que merecem a sua intercessão quando a ele vão, em todos os momentos, pedir socorro para as necessidades que vivem.

O que o JB quer fazer é uma homenagem até este dia 8, quando Padre Jorjão comemora seus muitos anos, mas reconhecidos como 25, de serviço a Deus. Solicitamos que um outro sacerdote, mais novo mas que, com toda a santidade que os sacerdotes devem ter, fizesse um texto para que pudéssemos todos, JB e seus leitores, fazer o justo reconhecimento a este homem que, com certeza, não tem a santidade com as formalidades do sacramento de Deus, mas é um santo.

Papa Francisco e Padre Jorjão
Papa Francisco e Padre Jorjão

Padre Jorjão: 25 anos fazendo com que Deus esteja mais perto de nós

Precisamos de pessoas que nos façam olhar para além daquilo que temos diante dos olhos. Pessoas que nos façam ver aquilo que, apesar de invisível, é essencial para a vida. Pessoas que nos permitam acreditar que vale a pena acreditar que o amanhã será melhor do que o hoje. Nestes tempos em que a corrupção e a violência dominam as manchetes, em que muitos desistiram de sonhar, precisamos de pessoas que sejam como um raio de luz que ilumine o nosso horizonte, o da nossa cidade, fazendo-nos recobrar a esperança. Quem conhece o Padre Jorjão, sabe bem que ele representa justamente isso nas suas vidas: um sinal iluminado de Deus. E, faz 25 anos que este sinal brilha na nossa Cidade Maravilhosa. 

Por isso, não faltarão motivos para celebrar com muita festa, no próximo dia 8 de agosto, o “Jubileu de Prata” da ordenação sacerdotal do Padre Jorjão. Desde 1992, a vida deste padre não foi outra coisa senão ser um instrumento para fazer com que as pessoas se sentissem mais próximas de Deus. 

Mas, se fosse necessário descrever o que o Padre Jorjão representa para quem o conhece, há uma cena que talvez sintetize bem essa realidade: várias vezes, todos os dias, inúmeras pessoas abordam o Padre - depois das Missas celebradas na Paróquia Nossa Senhora da Paz, nos hospitais, quando está visitando os doentes, até mesmo na rua, quando está caminhando – todas com o mesmo pedido nos lábios: “-Padre, reze por mim!”. 

De fato, a Bíblia diz que o sacerdote é alguém “tomado do meio do povo e para representar o povo nas relações com Deus” (He 5,1). Nada poderia definir melhor esse querido sacerdote: é um homem de Deus., alguém que leva a Deus, que traz Deus até nós. E isso, ele faz ensinando com as suas belas e sábias palavras, confortando com sua presença amiga, consolando com suas lágrimas solidárias e, sobretudo, arrancando sorrisos com o seu abraço apertado, capaz de renovar a esperança de quem já tinha desistido de tudo e de todos. 

Poderia parecer um clichê dizer que se tivéssemos que elencar todos os frutos da vida deste sacerdote ao longo de 25 anos, não seria tarefa fácil. Por isso mesmo, mais do que falar de conversões, de vidas resgatadas, de mágoas curadas, bastaria mencionar um fruto que se destaca: o fato de que um jovem, que pode vir a ser o primeiro santo carioca, o servo de Deus Guido Schaffer, cujo processo de canonização está bem adiantado, teve no padre Jorjão o seu guia espiritual. Que melhor elogio poderíamos fazer do que afirmar que o Padre Jorjão é um inspirador de santos! 

Por isso, como não manifestar o reconhecimento a alguém tão iluminado? Porém, há de se dizer que o Padre Jorjão não gosta de homenagens. E, verdade seja dita, ele faz muito bem em rejeitar as glórias e honras humanas. Jesus mesmo exortou aos seus ministros a que após cumprirem sua missão, dissessem a si mesmos: “somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 10). Contudo, nós também não fazemos outra coisa senão obedecer a Jesus reconhecendo o dom que os seus sacerdotes são para nós: quem recebesse um de seus servos, afirmou o Cristo, a Ele mesmo receberia (cf. Mt 10, 40), ao ponto que “quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequenos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não ficará sem receber a sua recompensa” (Mt 10,42).

Assim, o melhor que podemos fazer neste dia tão especial é pedir a Deus que àquelas palavras que S. Francisco de Assis dirigiu aos sacerdotes, ele, o grande inspirador da sua vocação sacerdotal, tornem-se realidade na vidado Padre Jorjão: “como deve ser santo, justo e digno quem toca com as mãos, toma com o coração e com a boca e dá aos outros para tomar, aquele [Jesus, na Eucaristia] que já não há de morrer, mais vai viver para sempre é glorificado, em quem os anjos querem olhar! Vede vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos, porque Ele é santo” (Carta a toda Ordem, n. 22-23). Sim querido Padre Jorjão, que Deus sempre faça do senhor um sacerdote mais santo, para que assim continue sendo para nós esse faixo de luz que nos dá forças, apontando para o Cristo, que como a estátua do Redentor que domina a nossa querida cidade, nos espera a cada um com seus braços abertos.