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Opinião

Ficha limpa

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Todos querem eleger um político ficha limpa. Mas quem é este político? É aquele que nunca foi flagrado roubando?

A Lei da Ficha Limpa, promulgada em 2010, determina a inelegibilidade, durante o período de oito anos, de políticos condenados em processos criminais em segunda instância, cassados ou que tenham renunciado para evitar a cassação, dentre outros critérios.

Mas na verdade, é muito fácil constatar quem realmente é ficha limpa: basta fazer o levantamento da evolução patrimonial de quem ocupou ou ocupa cargos públicos ou eletivos. 

Numa campanha eleitoral, o volume que se gasta é o equivalente a quase o dobro do salário acumulado em quatro anos de mandato.

O político honesto não tem como bancar sua campanha e ainda, assim, ter uma evolução patrimonial significativa durante o seu mandato.

O mais curioso é vermos hoje políticos que eram considerados "ficha limpa", e que agora estão atrás das grades. Sérgio Cabral era "ficha limpa", e foi eleito sem nunca ter sua evolução patrimonial investigada, até ser fisgado pela Lava Jato. Eduardo Cunha era "ficha limpa" e foi eleito sem nunca ter sua evolução patrimonial investigada, até descobrirem depósitos no exterior. Hoje, os dois estão presos.

E os candidatos filhos de delinquentes que estão em presídios, como podem confirmar como se sustentaram e bancaram suas campanhas? Com que dinheiro sustentaram sua eleição? Como podem ser considerados "ficha limpa"?

O que vamos esperar, a Lava Jato acabar com o país até prender todos os políticos criminosos?