Jornal do Brasil

Opinião

Ministro da Justiça inverte a própria lei

Faz acusações e manda que provem que ele está errado. O ônus da prova cabe ao acusador

Jornal do Brasil

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, faz uma grave denúncia e afirma que, se estiver errado, "que provem". A ordem do ministro da Justiça inverte a própria lei, que diz que cabe ao acusador o ônus da prova. 

Se o ministro da Justiça denuncia o comando da Segurança de um estado, e não toma providências para substitui-lo, como deve se sentir o cidadão desse estado?

Se o ministro da Fazenda reconheceu o estado de falência do Rio e tomou a providência de criar uma comissão para solucionar o problema, como uma autoridade faz uma acusação muito mais grave que a falência econômica e não toma medidas? 

O ministro denunciou a falência da segurança pública. Incentivou que o cidadão, por ter sido avisado por ele que o comando é corrupto, chegue à conclusão de que toda a polícia é corrupta, já que os comandados são os agentes do comando. 

Como fica esse estado? Como ficam as mães, as mulheres e filhos dos 114 policiais militares mortos somente neste ano no Rio? A família tem que admitir que eles não morreram em defesa do estado? Que eles estavam contra os interesses da segurança pública, segundo o ministro da Justiça?

O que todo o cidadão do estado do Rio está esperando hoje é que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, faça uma intervenção na segurança pública do Rio, ou renuncie
O que todo o cidadão do estado do Rio está esperando hoje é que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, faça uma intervenção na segurança pública do Rio, ou renuncie

Se o comando é corrupto, há de se convir que não é o comando que busca a propina, não é o comando que tem apartamento com R$ 51 milhões. O dinheiro é sempre buscado pelos agentes do comando. É isso que o ministro quis dizer? 

O que todo o cidadão do estado do Rio está esperando hoje é que o ministro da Justiça faça uma intervenção na segurança pública do Rio, ou renuncie.

Ele criou um clima de instabilidade na segurança pública que abre margem para que tudo possa acontecer.

Uma coisa é existir o caso Amarildo, e um comandante de uma UPP e mais três ou quatro soldados serem responsabilizados pela morte. Mas o que não podemos admitir é que todo o comando seja corrupto. 

E há, na afirmação do ministro da Justiça, uma incoerência: ele diz que todo o comando é corrupto, mas que o comandante Luiz Gustavo Teixeira foi assassinado. Senhor ministro, esse não era corrupto? Estava fora do esquema? Então o senhor deveria ter feito a ressalva. Imagine os filhos desse comandante morto, pensando que o pai também fosse corrupto?

Havia um ministro do STF, que o senhor conheceu bem, chamado Leitão de Abreu. Ele tinha uma frase famosa: "Quem se justifica não se explica, e quem se explica geralmente se atrapalha." 

Pobre do estado do Rio. Mais pobre ainda são os pobres e valentes guardiões da nossa segurança, com salários atrasados, trabalhando com equipamentos ultrapassados e serviço de saúde sucateado. Pobre policial militar.