Jornal do Brasil

Opinião

Ministro Gilmar não tem medo de Barata 

Jornal do Brasil

Podem denunciar, dizer que o cunhado do ministro é sócio do Barata como afirma o MP, e que sendo verdade o ministro estaria impedido de atuar nesse caso. Podem dizer que em outro caso, sua senhora advogou em um escritório que também presta serviço a esse corruptor de quase todo o governo e ex-governo do Rio de Janeiro, e que com isso, com certeza ele estaria impedido. Essas insinuações, caso sejam verdadeiras abalam a honra não só do ministro, mas como de todo o Supremo. Com isso, não se pode acreditar que sejam verdadeiras. Podem falar o que for. Mas o fato é que por isso Gilmar Mendes não tem medo de soltar Barata.

Esse mesmo senhor, Gilmar Mendes, enfrenta todo o tipo de tentativa de desmoralizá-lo. Em meados de 2012, Gilmar Mendes se envolveu em uma confusão com o ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. “Peixes bem maiores do que Barata”. Conforme noticiou a revista Veja, em abril de 2012.

Na época, uma reportagem publicada pela revista Veja denunciou que “durante um encontro de Lula com Gilmar, que teria ocorrido no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, com o intuito pressionar Gilmar Mendes a adiar o julgamento do processo do Mensalão para o ano de 2013. E, em troca, Lula teria oferecido ao ministro proteção na CPI do Cachoeira, onde Gilmar era um dos alvos por ter relações estreitas com o ex-senador Demóstenes Torres, um dos principais acusados de envolvimento com a quadrilha do bicheiro, Carlinhos Cachoeira.”

De acordo com a Veja, “Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula teria oferecido proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado teria sido decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, ele seria blindado na CPI.”

Ainda segundo a publicação, durante a conversa entre Lula e Mendes, “Lula teria questionado o ministro sobre as constantes viagens feitas a Berlim. Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: “Vá fundo na CPI”.”

Por sua vez, o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou que Lula tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes a adiar o julgamento.

O fato é que Gilmar Mendes enfrentou Lula, Jobim, e todos que poderiam ter interesse em adiar o julgamento para 2013, e o Supremo concluiu o processo ainda em 2012, condenando 25 dos 38 réus do processo.

Com tudo isso, não se pode admitir que este Barata seja tão nocivo ao ponto de amedrontar o ministro