Criação da Unasul muda geopolítica da América do Sul, diz Lula
Agência Brasil
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que a criação da União Sul-americana de Nações (Unasul) muda a geopolítica da América do Sul, tornando os países-membros mais fortes e mais soberanos . Para Lula, o feito representa a realização de um sonho.
- Parecia uma coisa impossível porque aqui, na América do Sul, fomos doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos Estados Unidos e da União Européia - afirmou.
Chefes de Estado sul-americanos se reuniram na última sexta-feira (23), em Brasília, para uma reunião de cúpula extraordinária da Unasul. O marco legal já havia sido estabelecido pela diplomacia dos países envolvidos e os últimos detalhes foram definidos em maio.
Em seu programa de rádio semanal Café com o Presidente, Lula ressaltou que o tratado que cria a Unasul vai facilitar negociações com outros blocos, além de possibilitar a construção de ferrovias, rodovias, pontes e linhas de transmissão.
- Acho que foi a realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que trabalhar muito para consolidar as coisas práticas.
Diante do ceticismo por parte de alguns países sul-americanos e da possibilidade de que a Unasul fique apenas no papel, Lula se mostrou otimista e reforçou que a América do Sul apresenta um quadro de evolução extraordinária . Para ele, é preciso que o Brasil invista em países como Paraguai, Uruguai e Bolívia nações consideradas economicamente mais frágeis .
- Temos obrigação de ajudá-los porque, quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul, mais tranquilidade, paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda e desenvolvimento.
Lula reconheceu que "na verdade muita coisa ainda não se concretizou" e lembrou que outra iniciativas estão em andamento, como o Bnaco da América do Sul.
- Vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único e moeda única. Isso é um processo, não é uma coisa rápida.
Já em relação à proposta brasileira de criação de um Conselho Nacional de Defesa Sul-americano que acabou derrubada durante a reunião de chefes de Estado Lula acredita que, caso o Brasil possa elaborar melhor a proposta e tirar algumas convergências nos próximos 90 dias, a idéia poderá ser aprovada.
- A verdade é que, dos doze países, apenas a Colômbia colocou objeção. Depois, conversei com o presidente Uribe [da Colômbia]. Vamos voltar a conversar. Estou viajando à Colômbia no dia 20 de julho. E acho que as coisas vão se acertar.
A proposta será analisada nos próximos 90 dias por um grupo de trabalho da Unasul. A iniciativa foi anunciada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, na última sexta-feira, em coletiva no Palácio do Itamaraty.
