Jornal do Brasil

Rio

Revoltados, familiares não se conformam com morte de jovem durante tiroteio 

Fabrício Melo foi atingido durante operação do BOPE na favela Nova Holanda, na Maré

Carolina Mazzi, Jornal do Brasil

Os cerca de 70 amigos e familiares que estiveram no enterro de Fabrício de Sousa Melo, 18, na tarde deste domingo (2), não se conformam com a morte do jovem, que aconteceu no último sábado (1), por uma bala perdida durante tiroteio entre traficantes e policiais do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) no Complexo da Maré, onde morava.

Revoltados, familiares contaram diversas vezes que Melo, ao contrário do que informou a polícia, não estava envolvido com o tráfico de drogas e que os soldados deixaram de prestar socorro. "Eles deixaram o Fabrício agonizando, deixaram ele morrer", afirmou Antonio, irmão da vítima. 

Segundo L, que não quis se identificar por medo de retaliações, Fabrício trabalhava em uma loja na Rua Uruguaiana há apenas 1 semana. No momento que foi atingindo, estava esperando para irem juntos ao trabalho. Ao tentar socorrê-lo, ele conta que foi ameaçado pela polícia. "Mandaram eu sair, para não chegar perto do corpo. Me viraram de costas, renderam e eu vi o Fabrício agonizando, pedindo ajuda". 

Familiares e amigos se despedem de Fabrício de Sousa Melo Fotos: Vítor Silva / Jornal do Brasil

Familiares e amigos se despedem de Fabrício de Sousa Melo Fotos: Vítor Silva / Jornal do Brasil

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Na capela onde ocorreu o velório, no Cemitério do Caju, amigos choravam e repetiam que a morte de Fabrício foi uma "grande injustiça". "Ele era trabalhador, um menino que fazia tudo certinho, bem educado, não merecia isso, era muito bom", lembrou uma tia. "A polícia entra na favela para matar e foi isso que aconteceu. Eles tratam todo mundo como bandido, estão rindo da nossa cara com uma desgraça dessas", reclamou um outro amigo da vítima.

Depois do cortejo, os presentes seguiram para sepultamento onde, sob aplausos e canções, se despediram de Fabrício. "Descansa, meu filho, descansa", gritavam os familiares. 

Em nota oficial, a Polícia Militar afirmou que Fabrício estaria envolvido com o tráfico de drogas da Favela Nova Holanda, onde aconteceu a operação. 

Relembre o caso

No último sábado (1), policiais do BOPE realizaram operação na favela Nova Holanda. Durante tiroteio com traficantes locais, duas pessoas foram atingidas e morreram no hospital. Segundo a Polícia Militar, foram encontradas duas pistolas com os atingidos, uma 9 mm e outra 380. As vítimas são Diones Nunes da Silva, 25, e Fabrício de Sousa Melo, 18.

Logo após a ação, moradores organizaram protesto e fecharam alguns acessos da Avenida Brasil. Segundo eles, os policiais agiram como truculência e chegaram a furtar uma residência. Familiares e amigos de Fabrício se reuniram com representantes da Ong Redes da Maré após os incidentes e seguiram para a 21DP (Bonsucesso), onde prestaram queixa contra o BOPE. 

Um dos policiais que participou da operação negou todas as acusações.