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Cabral insinua que Pezão é responsável por corrupção em obras

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O ex-governador Sérgio Cabral insinuou, em depoimento nesta terça-feira (5) ao juiz Marcelo Brêtas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que o governador Luiz Fernando Pezão seria o responsável pelos casos de corrupção na Secretaria estadual de Obras. Antes de ser governador, Pezão foi nomeado por Cabral para a pasta e recebeu autonomia para fazer nomeações.

"Eu nunca indiquei nenhum membro da secretaria de Obras. O meu então vice-governador Pezão foi nomeado por mim secretário de Obras. E, do mesmo jeito como nas demais pastas, eu dei autonomia a ele para que nomeasse a sua equipe. Ele trouxe o Hudson Braga para ser subsecretário. E eu não o conhecia. A primeira vez que tive contato com ele foi dentro do governo", disse Cabral, que depôs sobre fraudes e propinas nas obras do Maracanã.

Cabral disse, em depoimento, que deu total autonomia para Pezão fazer nomeações no governo
Cabral disse, em depoimento, que deu total autonomia para Pezão fazer nomeações no governo

Segundo o ex-governador, a obra do Maracanã foi bem-sucedida e o estádio, diferentemente de outros projetos que resultaram em elefantes brancos, tem sido bastante utilizado. Ele criticou o governo do Rio de Janeiro comandado por Pezão. "Só não tem mais uso porque o atual governo não soube solucionar o problema da concessão que surgiu da crise da Odebrecht. Se tivesse sido chamado o segundo colocado da licitação [para assumir a gestão], talvez ele tivesse mais uso do que tem hoje". A empresa francesa Lagardère é a que apresentou a segunda melhor proposta para o Maracanã.

O ex-governador defendeu ainda o ex-secretário de governo Wilson Carlos. "Nunca nomeou ninguém na Secretaria de Obras. Ele é responsável por salvar muitas vidas. (...) Ele criou a Operação Lei Seca, criou a Lapa Presente. É um grande executivo. Não tinha nada a ver".

O depoimento ocorreu no âmbito da Operação Crossover, desdobramento da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, em que o Ministério Público Federal (MPF) denuncia 20 pessoas. Sérgio Cabral é apontado como líder de uma organização criminosa que arrecadava propina durante o período em que ele foi governador. Em outros três processos, Cabral já foi condenado em primeira instância com penas que somam 72 anos de prisão. Atualmente, ele está na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro.

Com Agência Brasil