Jornal do Brasil

Sociedade Aberta

A hora é esta

Celso Franco, Jornal do Brasil

Nesta semana que passou, fui surpreendido pela publicação na grande mídia, matéria paga da  Rio Ônibus, assinada pelo seu presidente atual (o anterior está preso), intitulada “Carta Aberta ao Prefeito”, em que, procurando demonstrar sua atual “penúria”, solicita um diálogo (coisa que nunca propuseram) a fim “aliviar a barra” deles, segundo o texto, a caminho do fechamento de várias empresas de ônibus. Para mim, em linguagem chula, um legítimo pedido de “arrego”. Tudo isto graças à atitude firme e imune ao suborno do atual secretário municipal de Transportes, engenheiro Fernando MacDowell, competente especialista no ramo.

Como escrevi no último artigo, é inaceitável a continuação do sistema de concessão para o transporte que é utilizado por, segundo a Rio Ônibus, 70% da população. Por absoluta perda de confiança do público usuário, que elegeu a atual administração da prefeitura, este sistema, sujeito à fraude como ficou demonstrado, precisa e deve ser modificado, aumentando a responsabilidade direta do poder concedente, que passaria a utilizar a atual frota, que lhe será alugada por seus atuais proprietários, a um valor a ser pago por quilômetro rodado, obtido por absoluto consenso, apoiado em cálculos precisos, que a Secretaria de Transportes apresentaria, evitando a sua “falência”.

No primeiro governo de Leonel Brizola, houve uma tentativa de consertar o que vinha errado, através uma corajosa intervenção, que fracassou por manter o sistema de  “concessão”, quando deveriam, como agora proponho, aliás de há muito, para "arrendatários”, o que em vista do tempo de serviço prestado lhes daria, de certa forma, um direito adquirido, e seriam remunerados pelo preço justo do valor de sua frota alugada.

No entanto, isto só não bastaria. É necessário a implantação do sistema de Uso Racionado das Vias, URV, pelo tráfego de automóveis de passeio, que além de criar uma mobilidade excepcional, nas horas de pico, diminuindo muito a poluição dos gases produzidos por um tráfego engarrafado, teria uma fiscalização eficaz e até vingativa, onde os atuais motorista seriam absorvidos pelo município graças à arrecadação excepcional das taxas de congestionamento e do uso racionado da via, cerca de 100 milhões/mês criados pelo sistema URV, alem de tornar este serviço gratuito para os seus usuários, subsidiados totalmente pela prefeitura, .

No próximo dia 11, estarei levando ao digno secretário municipal de Transportes, o representante da empresa Valid, antiga American Bank Note, a fim de explicar, com os detalhes técnicos, como funciona o sistema URV, blindado contra a corrupção, e de uso exclusivo dela, Valid. A sua implantação, que não é imediata, exige um período de adaptação, se dará sem nenhum ônus para os cofres públicos, todas as despesas cobertas pela renda do sistema.

Como disse no inicio, como titulo deste artigo, “a hora é esta”. Comparando ao boxe, “a nobre arte”, o adversário sofreu um “knock down” com a divulgação do vergonho escândalo do seu envolvimento na corrupção em conluio com autoridades do poder executivo e, pasmem, do legislativo. Levantou-se, está apoiado nas cordas, pronto para ou o “knock  out”, ou a interrupção da luta com um honroso “knock out” técnico”.

Como disse Caio Julio Cesar, ao atravessar o Rubicão: “Alea Jacta Est.”