Sociedade Aberta

2018, ano de esperança?

Celso Franco, Jornal do Brasil

Permitam-me, aqueles que me honram com sua leitura, neste último artigo do ano que terminou, divagar um pouco saindo do “rumo base”, o assunto trânsito, como faço, desde 1968, por conseguinte, completando neste ano que entra, meio século de fidelidade ao heroico JB. Como grande notícia a volta do jornal impresso, vendido nas bancas, dando aos leitores a opção da seriedade, independência e coragem, apanágios da gloriosa trajetória do jornal, como diz seu nome  “do Brasil”.

Naquele ano de 1968, ao ser recebido pelo redator chefe, jornalista Alberto Dines, este me deu um conselho, no qual me pauto até hoje de que: “Escrevesse pouco para ser lido”. Procuro nunca chegar ao limite de 5 mil caracteres, para o bem dos leitores.

Será um ano de eleições para a tão esperada renovação do Congresso Nacional, esperando eu, quando completo 92 anos bem vividos, em sua maioria a serviço da Pátria e do povo  carioca, que se torne de fato constituído de representantes dos interesses da Nação e não defendendo seus interesses, nem sempre honestos.

Como pausa para “sofrer”, no bom sentido, a Copa do Mundo, a ser realizada em Moscou, onde levamos nossas esperanças, apesar do, a meu ver, favoritismo da atual campeã, a Alemanha.

Voltando ao tema tradicional de meus escritos, esperamos que o novo governo da República considere o fato de que o atual Ministério das Cidades não passa de um BNH gigantesco, quando deveria gerir, orientar e fiscalizar o desenvolvimento urbanístico das cidades e da migração urbana (fator principal das favelas), tornando-se o Ministério do Planejamento Urbano, entregando a sua direção a um técnico consagrado.

Que a direção do CONTRAN e do DENATRAN seja entregue, localizada neste novo ministério, tão importante como o do Planejamento Financeiro tome, de fato, as medidas necessárias para se criar uma mentalidade educacional e não apenas arrecadatória e punitiva, abandonando a filosofia do uso, sempre que possível, das medidas construtivas, em lugar das meras restrições legais, na revisão do nosso Código de Trânsito, que completará 21 anos.

Como exemplo do que proponho, as multas passariam a ser notificações, passiveis de serem anuladas, desde que o infrator observe um período variável, proporcional à gravidade da infração cometida, de bom comportamento, sem multas. Seria anulada e não aceita, qualquer defesa (hoje 4 mil e 500 por mês) a não ser em casos de evidente engano, a fim de que se tivesse a tão desejada paz no trânsito, acabando com a “picaretagem explicita” de alguns advogados, eternos defensores frustrados, uma vez que o percentual de indeferimentos nas JARIS é da ordem de 98%.

Exigir e fiscalizar a sinalização em seus três aspectos, gráfica horizontal e vertical e semafórica, responsáveis pela maneira de condicionar os motoristas em obediência ao principio do PIEV (Percepção, Inteligência, Emoção e Volição), responsável pelo seu procedimento no trânsito urbano, o qual levarão para as rodovias, diminuindo de muito a atual carnificina nelas existente.

Terei a segunda audiência com o competente Secretário Municipal de Transportes, desta vez levando comigo um diretor da empresa Valid, antiga American Bank Note, detentora da exclusividade da implantação e operação do sistema URV (Utilização Racionada das Vias) que trará de volta a mobilidade urbana, além de criar uma renda capaz de permitir à Prefeitura oferecer a gratuidade do transporte público por ônibus. Aproveitarei a oportunidade para oferecer e insistir com o Secretário a modificação do sistema tercealizado da exploração do transporte público, hoje totalmente desmoralizado, comprometendo a reconhecida competência do Secretário, engenheiro Fernando MacDowell, construída com os seus relevantes serviços profissionais à causa do transporte de massa, em recente passado.

Para minha geração, que participou da Segunda Guerra Mundial, no meu caso merecedor da Medalha de Guerra, pela Marinha do Brasil, quando todos caminhamos para a “cortina final”, seria muito gratificante poder ver no próximo ano surgir no horizonte o “O Sol da Liberdade em raios fulgidos” nos restituindo a nossa verdadeira profissão, no dizer do saudoso cronista Antônio Maria, a esperança.

E, já que falei de guerra e desejei esperança, seria talvez oportuno enfatizar que na próxima “guerra eleitoral” não estará apenas em jogo o futuro da Nação, mas o do regime democrático, uma vez, o povo, os verdadeiros patriotas, não tolera mais os desmandos da classe política, todos da geração “pós guerra”, quando a palavra Pátria tornou-se quase que ausente em seus debates públicos mas que, como diz o velho adágio: “A esperança é a última que morre”, esperamos sinceramente que prevaleçam os interesses da Pátria e não os inconfessáveis interesses pessoais. Que assim seja.