Tostão

Novos ídolos e heróis

Jornal do Brasil
Tostão

Não querendo ser mais crítico que a crítica, penso que a boa atuação da seleção brasileira, contra o México, foi mais individual que coletiva. O México não finalizou nem fez gol pelas deficiências técnicas de seus atacantes. Havia sempre um mexicano para receber a bola, livre, na intermediária do Brasil, mas que errava. Paulinho e, principalmente, Coutinho não voltavam para marcar, o que deixava Casemiro sobrecarregado. Tite demorou para colocar Fernandinho. O time precisa melhorar.

Nesta quarta (4) e quinta (5) não há futebol na Copa. Estou gostando do Mundial, mas é muito jogo, muita repetição, muito blá blá blá nos programas esportivos, muitas enquetes, muitas estatísticas, muitos árbitros de vídeo. Mesmo assim, quando acabar, vou sentir saudades.

Os árbitros de vídeo, estreantes na Copa, têm funcionado bem. Diminuiu o número de erros graves e decisivos. Tinha receio de que o jogo parasse muito, mas isso não ocorreu. As dúvidas continuam em alguns lances, especialmente na marcação de pênaltis, pois são interpretativos. O árbitro de campo tem a última palavra e acerta mais com a ajuda do árbitro de vídeo. Em uma partida, o árbitro de campo não deu pênalti, viu a imagem, por sugestão do árbitro de vídeo, e manteve a opinião. Alguém na transmissão da TV disse que foi uma decisão humana. Seria o árbitro de vídeo um robô?

Na coluna anterior, escrevi que, pelo fato de a Copa ser um torneio curto, não haveria razão para criar novos conceitos, novas verdades. O excepcional goleiro De Gea não virou um frangueiro porque cometeu uma grave falha. Se Gabriel Jesus fizer o gol do título, não se tornará um craque, e, se não fizer nenhum gol no Mundial e o Brasil não for o campeão, não será um centroavante mediano. Há muitos outros exemplos.

Por outro lado, o Mundial, por ser um evento tão grandioso, pode ser o início de novos paradigmas, mesmo que não sejam verdades. Como Cristiano Ronaldo e Messi já passaram dos 30 anos e já foram para casa, poderia ser a Copa a data oficial da passagem do reinado dos dois, dos últimos dez anos, embora continuem em forma? Ninguém é eterno. A sociedade do espetáculo tem uma grande necessidade de criar novas caras, marcas, produtos, heróis e ídolos, mesmo que o herdeiro seja um jovem veloz francês, à la Bolt, de 19 anos, ou que dê dez cambalhotas, após uma dura falta.