Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Alívio momentâneo, pressão à vista

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Vencer a Chapecoense era mais que obrigação para o Flamengo. Novo fiasco no Maracanã, como ocorrido contra o Ceará, provocaria uma crise colossal na Gávea, com prováveis reflexos na Copa do Brasil, único título realmente palpável para o rubro-negro, após um agosto de desgosto e um início de setembro com duas derrotas.
Jogar bem, uma vez mais o time de Maurício Barbieri não jogou. Sofreu para fazer um gol, aos 44 minutos do primeiro tempo, num chute de Renê, da entrada da área, após passe de Diego. No segundo, aos 11, Diego (o melhor em campo) aumentou de pênalti e garantiu os três pontos. Alívio momentâneo; pressão à vista, na próxima quarta-feira, quando o Fla volta ao Maracanã para a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, contra o Corinthians. Uma vez mais, é vencer ou vencer, ou jogar o ano no lixo.


De pires na mão
O clássico de hoje, entre Fluminense e Botafogo, é um dos mais pobres da história gloriosa dos dois clubes. Nenhum deles tem maiores pretensões no Campeonato Brasileiro, lutam apenas para se afastar da zona do rebaixamento, e ambos estão de pires na mão, com salários atrasados e sem perspectivas de resolver o problema, a não ser através da venda de jogadores, solução meramente paliativa.
O tricolor venceu apenas uma vez nas últimas cinco rodadas (teve ainda três empates e uma derrota). No mesmo período, o alvinegro também só ganhou uma (empatou outra e perdeu três). A diferença entre eles na tabela é de apenas dois pontos – o Flu tem 28, na décima-segunda colocação, e o Botafogo, 26, na décima-quinta. Difícil crer que vá ser uma grande partida. No máximo, pode ser animada. E tem uma carinha de empate...
Ajuda mineira
O empate do Cruzeiro com o Sport (0 a 0) foi bom para o Vasco, mas a rodada ainda traz risco de entrada no Z-4, se o Gigante da Colina não pontuar hoje contra o Vitória, no Barradão. Os baianos também rondam a zona do rebaixamento, mas tem dois pontos a mais que os cariocas. Tremendo clássico na luta contra o fantasma do rebaixamento. Jogo para aumentar o sofrimento de Alberto Valentim.


Duelo de gigantes
O sérvio Novak Djokovic e o argentino Juan Martin Del Potro fazem hoje a final do US Open e, independentemente de quem for o campeão no Artur Ashe, outra grande batalha será travada até o final do ano entre eles, o espanhol Rafael Nadal e o suíço Roger Federer, esta pela liderança do ranking. Encerrando a temporada, ainda serão disputados dois Masters 1000 (Xangai e Paris) e o ATP Finals, em Londres. Nole, que pode conquistar, em Flushing Meadows, o seu segundo Grand Slam em 2018 e o décimo-quarto na carreira, leva uma grande vantagem porque, como não disputou nenhum destes torneios em 2017, não tem pontos a defender.


O drama de Serena
No dia em que lutava pelo seu vigésimo-quarto título de Grand Slam, para igualar o recorde histórico da australiana Margaret Court, a americana Serena Williams acabou se envolvendo numa discussão insana com o árbitro de cadeira, o português Carlos Ramos e, advertida três vezes, perdeu um ponto e, em seguida, um game. As advertências foram porque seu técnico tentou lhe passar instruções durante o jogo; porque quebrou a raquete, ao ser advertida pela primeira vez e, por fim, por chamar o juiz de ladrão. Serena jurou que não viu nada, mas a TV flagrou seu treinador Patrick Mouratoglou fazendo sinais para que ela “jogasse mais dentro da quadra”, o que configura a infração e justifica a punição.
A jovem japonesa Naomi Osaka, de 20 anos, não se envolveu na briga e venceu com justiça, conquistando o seu primeiro título de Grand Slam. Foi absoluta no primeiro set (6/2), antes da confusão, e depois soube garantir a vitória (6/4), sem perder o controle dos nervos durante a polêmica. Osaka fez um torneio perfeito e desponta como a tão esperada renovação no tênis feminino, há quase duas décadas dominado pelas irmãs Williams.
Não foi a primeira vez que Serena se envolveu numa grande confusão no US Open. Em 2009, na semifinal do torneio, enfrentando a belga Kim Clijsters, a caçula das Williams discutiu asperamente com uma juíza de linha que marcou um “foot fault” contra ela. Descontrolada, chegou a ameaçar a árbitra de morte, o que lhe custou um ponto de penalização e a derrota no jogo, pois, por causa do “foot fault” (marcado num segundo serviço), era match-point a favor de Clijsters. A confusão rendeu-lhe ainda uma multa de US$ 10.500, a maior prevista pelo regulamento do US Open.


Antipatia cresce, audiência cai
O amistoso contra os EUA teve um dos piores índices de audiência da história da seleção brasileira na TV. Natural. Não somente pela baixíssima qualidade do jogo, como pela antipatia que Tite e Neymar passaram a carregar após o fracasso na Copa, marcado pela soberba e o não reconhecimento de seus erros, apesar do desempenho pífio na Rússia. A entrega da faixa de capitão para o camisa dez foi a cereja do bolo. Imagine como será o ibope da próxima partida contra El Salvador. E ainda vem aí um duelo das arábias contra os sauditas. Dá-lhe, CBF. Dá-lhe, Tite.



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