Jornal do Brasil

Sociedade Aberta

O desejo de aparecer e as redes sociais

Siro Darlan*, Jornal do Brasil

Todos temos a necessidade de aparecer e se comunicar. O surgimento das redes sociais democratizou a informação e todos viramos comunicadores em potencial. Muita gente criou seu blogs, sites e jornais eletrônicos. É normal que se deseje compartilhar as boas noticiais, formaturas, nascimento de um filho ou de um neto, aniversários, casamentos, trocas de parceiros, etc. As boas notícias deveriam ser as únicas já que as mídias tradicionais já trazem prioritariamente as más notícias.

Esse fato social gerou uma exposição exagerada de informações e fotografias que muitas vezes fazem parte da privacidade das pessoas e passam a ser compartilhadas por conhecidos e desconhecidos, e, muitas vezes essas informações compartilhadas nas mídias sociais trazem uma forte dose de exibicionismo.

Recentemente vimos divulgadas pelos próprios personagens imagens de magistrados portando armas de alto calibre em suas páginas da internet como se essa imagem dignificasse a função que exercem. Mais recentemente policiais exibiram como um troféu a prisão de criminoso, lembrando as celebres fotografias que os caçadores de cangaceiros tiraram exibindo suas cabeças cortadas. Aqui com a diferença que tanto os caçadores quanto a caça sorriam e faziam pose para uma selfie.

Nesse último caso é interessante notar que causou negativas repercussões, até com promessas de punição dos policiais, eis que o fotografado era um bandido favelado, mas nenhuma repercussão quando o “Japonês da Federal”, o “Hipster da Federal”, dentre outros e até do Juiz Moro que apareceu em diversas fotos sociais com seus investigados, como na conhecida fotografia com Aécio Neves onde parece ter sido muito boa a piada contada no ato da mesma.

As redes sociais se transformaram em grande cenário para o exibicionismo, resultado de nossas carências afetivas ou emocionais e de busca por afeto e comentários positivos que aumentem nossa autoestima. Contudo há de se reconhecer que esse mundo artificial criado pela internet nos possibilita demonstrar que somos carentes uns dos outros e necessitamos da companhia e do afeto dos amigos do Facebook e das demais redes sociais para sermos lembrados, afagados e reconhecidos. Embora cultuemos nossa privacidade, não deixamos e nos exibir para mostrar que existimos e que somos humanos.

* Siro Darlan é desembargador do Tribunal de Justiça e membro da Associação Juízes para a democracia