Sociedade Aberta

O JB está de volta

Fernando Collor de Mello, Jornal do Brasil

É dispensável aquilatar o peso de um jornal que teve entre seus colaboradores e redatores, nos primeiros anos de circulação há mais de um século, figuras da estatura de Joaquim Nabuco, Barão do Rio Branco, Eça de Queirós, Rui Barbosa e, mais recentemente, Odylo Costa Filho. 

A história do JORNAL DO BRASIL por si só revela sua relevância como veículo de comunicação. A partir dos primeiros anos da nossa República, atravessou todo o século XX conferindo ao público uma qualificada cobertura dos acontecimentos do Brasil e do mundo e oferecendo a opinião de respeitáveis colunistas e articulistas. 

O retorno às bancas no formato em papel, sempre revolucionado pelo próprio JB, é mais uma etapa de sua importante trajetória. Desde o início, sua edição extrapolou os limites do Rio de Janeiro para se transformar, durante décadas, no mais influente e apreciado jornal do país. No final dos anos 1960, tive o prazer de fazer parte na sucursal de Brasília de um time de jornalistas e repórteres do mais alto gabarito da imprensa nacional, como Carlos Castelo Branco, João Emílio Falcão, D’Alembert Jaccoud e Abdias Nascimento. Foi um período importante de minha formação. Em 1992, trazido por Etevaldo Dias, meu secretário de imprensa à época da Presidência da República, recebi do Dr. Nascimento Brito, então presidente do grupo, minha ficha funcional de repórter do JB emoldurada. Foi um momento de recordação e emoção, a mesma que senti, mais de duas décadas antes, quando vi meu nome na publicação da minha primeira matéria assinada.

 Tenho certeza que a volta do JB às bancas estará imbuída do mesmo espírito que sempre o caracterizou ao reportar notícias no mais puro conceito do bom e responsável jornalisO JB está de volta mo. Um jornalismo que faz da apuração rigorosa uma regra mestra. Um jornalismo que, mais do que o texto, respeita o contexto dos acontecimentos; mais do que a tendência da versão, respeita a veracidade dos fatos. 

É dessa credibilidade da notícia, da apuração, da correção e da fonte legítima, que o Brasil tanto precisa hoje. Vivemos tempos de pós-verdades, de fake news; vivemos tempos de desvirtuamento da realidade, de degeneração institucional e de desilusão com a política. Vivemos, enfim, tempos de um progressivo processo de anestesia com a dura realidade do dia a dia de um país violento e desorganizado. Que o JB, com sua força de opinião e o talento de sua equipe consiga ajudar a resgatar um pouco da esperança e do otimismo dos brasileiros. 

*Senador pelo PTC/AL, foi presidente da República